Adriane quadruplica gasto com chefes da intervenção e esconde salários

A intervenção decretada pela prefeita Adriane Lopes no Consórcio Guaicurus acaba de revelar um custo que a Prefeitura preferiu não divulgar. Enquanto o discurso oficial promete reorganizar o transporte coletivo, a própria concessionária denuncia que a gestão municipal multiplicou por quatro a despesa com a alta direção do sistema. Antes, apenas um executivo recebia remuneração de aproximadamente R$ 30 mil por mês. Agora, quatro interventores custarão juntos R$ 120 mil mensais.

A informação veio à tona após questionamentos sobre o decreto que nomeou a comissão interventora. O município informou que cada integrante receberá remuneração equivalente à do antigo executivo do consórcio, mas evitou esclarecer oficialmente quanto receberá cada um dos nomeados. A falta de esclarecimentos reforça uma marca que acompanha a atual administração desde o início do mandato, que é a dificuldade em tratar gastos públicos com transparência.

Segundo o Consórcio Guaicurus, somente os salários da comissão de intervenção representarão um desembolso de R$ 720 mil durante os seis meses previstos para a medida. Em outras palavras, a Prefeitura criou uma estrutura quatro vezes mais cara para exercer a mesma função de gestão que antes era desempenhada por um único executivo.

O impacto financeiro não é pequeno para um sistema que há anos enfrenta dificuldades operacionais e financeiras. De acordo com o próprio consórcio, os R$ 720 mil correspondem ao valor aproximado de 150 mil passagens de ônibus. É dinheiro suficiente para aliviar parte da pressão sobre um serviço que sofre com frota envelhecida, reclamações diárias de atrasos e superlotação, mas que agora precisará suportar uma nova despesa administrativa milionária.

A situação se torna ainda mais preocupante diante da denúncia de que o sistema passou a comprar combustível à vista em razão da perda de credibilidade provocada pela intervenção. Se verdadeira, a informação revela um cenário de instabilidade que atinge diretamente a operação do transporte coletivo e pode comprometer ainda mais um serviço essencial para milhares de trabalhadores e estudantes de Campo Grande.

A justificativa para a intervenção sempre foi a necessidade de melhorar a prestação do serviço. No entanto, até o momento, a medida já produziu um efeito concreto facilmente mensurável, o aumento expressivo das despesas administrativas. A população ainda aguarda resultados práticos na qualidade do transporte, mas já sabe que haverá uma conta adicional sendo paga dentro do próprio sistema.

A falta de transparência agrava ainda mais o episódio. Questionada sobre os valores individuais da remuneração dos interventores, a Prefeitura simplesmente não respondeu. Quando o assunto envolve dinheiro público, especialmente em uma administração marcada por sucessivos escândalossobre gastos, o silêncio apenas amplia as suspeitas e alimenta a desconfiança da população.

Não é a primeira vez que a gestão Adriane Lopes é alvo de críticas pela forma como trata informações relacionadas à folha de pagamento. Durante a campanha eleitoral, a chamada folha secreta tornou-se símbolo da falta de publicidade sobre gratificações e penduricalhos pagos a servidores e ocupantes de cargos de confiança. Somente após determinação do Tribunal de Contas do Estado parte dessas informações passou a ser divulgada, ainda assim de maneira limitada e de difícil acesso ao cidadão comum.

É impossível ignorar a contradição. A mesma administração que frequentemente alega dificuldades financeiras para justificar limitações em investimentos cria uma estrutura que eleva em 300% o custo da direção do sistema de transporte coletivo. Em vez de concentrar esforços na renovação da frota, na melhoria da frequência das linhas e na qualidade do atendimento ao usuário, o primeiro grande resultado da intervenção foi inflar a folha de salários da cúpula administrativa.

Quem depende do transporte público esperava respostas para ônibus lotados, veículos sucateados e longos tempos de espera. Em vez disso, assiste ao crescimento das despesas com chefias e à continuidade da falta de transparência sobre o uso dos recursos públicos. A intervenção que prometia representar uma solução começa cercada por dúvidas e pelo receio de que, mais uma vez, a conta seja transferida para quem menos pode pagar, o passageiro.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br