
Além de se defender e pedir exclusão da ação movida pela mãe atípica agredida pela Guarda Municipal durante protesto na abertura do “Natal dos Sonhos” no dia 29 de novembro do ano passado, a prefeita Adriane Lopes (PP) pediu que seja cancelado o benefício de justiça gratuita à Elizângela Silva de Souza.
Elisângela participava de protesto contra a gestão de Adriane no final de novembro do ano passado quando foi agredida e jogada ao chão pela Guarda Municipal. Além de ter ficado com sequelas da truculência, ela foi atacada pela prefeita durante entrevista ao programa Tribuna Livre da FM Capital, realizada no dia 2 de dezembro passado.
Por meio da advogada Liliane Ribas, a prefeita se defendeu das acusações da mãe atípica, disse que não a citou nominalmente na entrevista e que as declarações estão protegidas pela liberdade de expressão. Adriane ainda alega que o protesto em questão teria sido coordenado por adversários políticos.
Acontece que segundo as mães atípicas o protesto ocorreu após um ano de muita luta e descaso enfrentado por elas que, na gestão Adriane Lopes, enfrentam verdadeira peregrinação para conseguir leite e fraldas determinados pela justiça, para as crianças atípicas.
Para além de se defender, Adriane age com maldade ao alegar no processo que Elizângela não comprovou ter direito à justiça gratuita. Se o juiz acolher a proposta da prefeita, o mãe atípica pode ter que arcar com custas processuais.
“No presente caso, a parte autora limitou-se a formular pedido genérico de concessão da justiça gratuita, sem apresentar qualquer documento capaz de demonstrar sua real situação financeira, deixando de juntar comprovantes de rendimentos, extratos bancários, planilha de despesas mensais ou mesmo declaração de imposto de renda”, diz a defesa de Adriane.
Reportagem de O Jacaré de março, mostra que aos 42 anos, Elisângela cuida do filho Enzo de 9 anos, que tem paralisia cerebral e vive acamado. Elisangela é formada em Educação Física, mas teve que abandonar a carreira para se dedicar aos cuidados intensos que Enzo exige. Atualmente ele tem home care durante 12 horas por dia, custeado por plano de saúde que ela paga, apesar de ter benefícios sociais como única fonte de renda.
Na Justiça, a mãe atípica firmou que “tais circunstâncias resultaram em exposição vexatória, violação à sua honra, imagem e dignidade, bem como em suposto linchamento moral público, causando-lhe sofrimento psicológico e constrangimentos perante a comunidade”. Ela pediu indenização de R$ 200 mil.