Tarifaço confirmado: EUA devem aplicar 25% sobre exportações do Brasil

O cenário considerado mais provável pelo governo é que a Casa Branca aceite a recomendação do USTR, anuncie a tarifa de 25%, mas estabeleça sua entrada em vigor aproximadamente 30 dias depois.

O governo brasileiro entra nas próximas horas na rodada mais delicada da guerra comercial com os Estados Unidos sem alimentar ilusões sobre um acordo de última hora. A avaliação predominante em em Brasília é que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, recomendará à Casa Branca a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma parcela relevante dos produtos brasileiros.

A conversa que ainda se tenta realizar entre esta segunda-feira, 13, e terça, 14, segundo apurou o Radar Econômico, já não é tratada como uma negociação capaz de impedir a punição. O objetivo é outro: evitar que a decisão americana feche imediatamente todos os canais diplomáticos e comerciais entre os dois países.

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Em outras palavras, a disputa deixou de ser apenas sobre a alíquota e passou a ser sobre o prazo de aplicação dela.

O cenário considerado mais provável pelo governo é que a Casa Branca aceite a recomendação do USTR, anuncie a tarifa de 25%, mas estabeleça sua entrada em vigor aproximadamente 30 dias depois. Esse intervalo permitiria a Donald Trump apresentar a medida como uma vitória política, sem abrir mão de uma última janela para que o Brasil ofereça concessões ou negocie novas exceções para seus produtos.

A legislação comercial americana favorece esse desenho. Pela regra ordinária da Seção 301, a ação deve ser implementada em até 30 dias depois de determinada. O USTR, no entanto, pode adiar a cobrança por até 180 dias caso considere que a espera é necessária ou desejável para alcançar uma solução satisfatória.

Apesar dessa margem legal, fontes ouvidas pelo Radar avaliam que uma suspensão imediata por seis meses ainda seria politicamente difícil para Trump. O prazo de 180 dias poderia transmitir a impressão
de que Washington recuou antes mesmo de obter qualquer concessão concreta do Brasil. Por isso, a janela de 30 dias é vista como a solução mais provável: curta o suficiente para preservar a pressão e longa o bastante para impedir uma ruptura imediata.

O que ainda está em jogo é por quanto tempo Trump aceitará manter o dedo fora do gatilho e quanto o Brasil terá de entregar para impedir que ele seja finalmente acionado.

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Foi justamente esse equilíbrio que passou a dominar as conversas internas do governo brasileiro. Brasília já não aposta na retirada da recomendação de tarifa. A expectativa é conseguir que o texto americano preserve consultas bilaterais, permita mudanças futuras na lista de produtos atingidos e deixe claro que a decisão poderá ser revista caso haja avanço nas negociações.

Também haverá uma batalha silenciosa em torno das exceções. O USTR propôs a tarifa de 25%, mas abriu espaço para retirar da medida produtos cuja taxação prejudicaria empresas e consumidores americanos. A lista inicial já protege itens importantes, como café, carne bovina, determinados metais, produtos energéticos e componentes aeronáuticos.

É nesse anexo, mais do que no número estampado no anúncio, que poderá estar o tamanho real do prejuízo para o Brasil. Uma tarifa de 25% com uma relação ampla de exceções e vigência futura produziria um impacto muito diferente de uma cobrança imediata sobre praticamente toda a pauta exportadora.

A última rodada, portanto, não deve decidir se o Brasil será punido. A recomendação da tarifa é hoje o cenário-base dentro do governo. O que ainda está em jogo é por quanto tempo Trump aceitará manter o dedo fora do gatilho e quanto o Brasil terá de entregar para impedir que ele seja finalmente acionado.

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