
A sessão desta terça-feira terminou com um resultado frio no painel e um efeito devastador fora dele. A vitória foi da prefeita Adriane Lopes, mas a amarga derrota foi do povo, que mais uma vez pagará a conta da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares em 2026 enquanto assiste, revoltado, a Câmara virar as costas para quem a elegeu.
O veto do Executivo ao Projeto de Lei Complementar 1.016 de 2026 foi mantido por um placar que revela mais do que números. Revela prioridades. Para derrubar o veto eram necessários 15 votos, mas apenas 14 vereadores tiveram coragem de sustentar em plenário a suspensão do aumento. Faltou um voto, apenas um voto.
Dos que permaneceram no plenário, oito optaram por manter o veto e, com isso, chancelar o aumento da taxa. Não se trata de debate técnico ou divergência saudável. Trata se de uma escolha política consciente que sacrifica o contribuinte e preserva o conforto do poder e da conveniência.
A situação se agrava quando se olha para as cadeiras vazias. Parlamentares que simplesmente se ausentaram da votação decidiram fugir da responsabilidade num dos temas mais sensíveis para a população. Quando o bolso do cidadão está em jogo, ausência também é voto, e voto contra o povo.
Votaram pela derrubada do veto os vereadores Ana Portela, André Salineiro, Clodoilson Pires, Flávio Cabo Almi, Herculano Borges, Jean Ferreira, Luiza Ribeiro, Maicon Nogueira, Marquinhos Trad, Otávio Trad, Professor Riverton, Rafael Tavares, RonilçoGuerreiro e Veterinário Francisco. Faltou apenas um para mudar a história, e isso diz muito.
Pela manutenção do veto votaram nomes como Beto Avelar, Delei Pinheiro, Dr. Jamal, Dr. Victor Rocha, Leinha e Wilson Lands, entre outros. Optaram por agradar o Executivo, manter suas vantagens e ignorar o impacto direto no orçamento das famílias.
Já a lista de ausentes pesa como chumbo. Dr. Lívio, Fábio Rocha, Junior Coringa, Landmark, Neto Santos e Silvio Pitu escolheram não escolher. Em política, essa omissão é uma das formas mais cruéis de decisão.
Revoltada, e com razão, a população já se conscientizou de que muitos dos que ocupam cadeiras naquela Casa não fazem jus ao voto que receberam. Não pensam em beneficiar o povo, pensam em se beneficiar, em se dar bem, em manter vantagens e alianças enquanto o cidadão é sacrificado.
Não se trata de ataque pessoal nem de desrespeito. Trata se de indignação legítima diante de um Legislativo que falhou em sua função mais básica, que é proteger quem o sustenta. Quando a Câmara erra, o erro não fica restrito ao plenário. Ele chega no carnê e, principalmente, ao bolso do cidadão que já faz malabarismo para chegar no fim do mês com algum tipo de dignidade financeira.
Ao final, a prefeita Adriane Lopes saiu vencedora na votação, mas o preço político e social dessa vitória será pago pela população. A derrota é coletiva, o prejuízo é real e a memória do eleitor, cedo ou tarde, cobra cada ausência, cada voto, cada conveniênciae cada escolha feita pelos parlamentares.