Atraso salarial paralisa metade dos trabalhadores da Santa Casa de Campo Grande

Sindicato mobilzou paralisação na Santa Casa . (Foto: Divulgação Sintesaúde).

Funcionários da Santa Casa de Campo Grande cruzaram os braços nesta terça-feira (09/06) após novo atraso no pagamento de salários, referente ao mês de maio. A paralisação atinge cerca de 50% do efetivo da unidade, segundo sindicatos, e é a segunda registrada neste ano pelo mesmo motivo.

Participam do movimento profissionais de diversas áreas, como enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição e setores de apoio. Durante a mobilização, trabalhadores cobraram o pagamento imediato com cartazes e palavras de ordem como “Salário já”. Uma assembleia com representantes sindicais também foi convocada para discutir os próximos passos do movimento.

De acordo com o presidente do SinteSaúde-MS (Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde), Osmar Gussi, a paralisação ocorre devido ao atraso no pagamento dentro do prazo legal, que é o quinto dia útil. Ele afirma que a adesão parcial foi definida para manter o atendimento à população.

Segundo Gussi, a direção do hospital atribui o atraso à falta de repasses do poder público. “A Santa Casa é uma instituição privada, mas depende de recursos públicos. O financiamento é tripartite, com verbas do Ministério da Saúde, do Estado e do município, sendo a prefeitura responsável pela gestão e pelos repasses. Até agora, não há previsão de pagamento”, afirmou.

O sindicalista destacou ainda que o problema é recorrente e afeta diferentes categorias profissionais. Ao todo, cerca de 1,5 mil trabalhadores representados pelo sindicato atuam em áreas como assistência, alimentação, limpeza, segurança e serviços administrativos.

A situação também preocupa representantes da enfermagem. Segundo Maria Neusa Santana, diretora do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), o cenário tem impacto direto na saúde dos profissionais. Ela afirma que, dos cerca de 1,6 mil sindicalizados, aproximadamente 400 estão afastados por problemas de saúde, principalmente relacionados ao desgaste emocional.

“Os trabalhadores dependem do salário para cumprir compromissos básicos. O atraso tem sido frequente e atinge todos os setores de uma instituição que conta com quase 4 mil funcionários”, disse.

Em nota, a Santa Casa informou que o pagamento não foi realizado devido ao atraso nos repasses de recursos por parte do Estado, do município e da União. A instituição afirma que mantém diálogo com os entes públicos e que os salários serão quitados assim que a situação for regularizada.

Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES) declarou que os repasses estaduais estão em dia e sendo feitos conforme previsto em contrato.

Procurados, a Prefeitura de Campo Grande e o Ministério da Saúde não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.

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