
A obra de contenção de enchentes na Avenida Ernesto Geisel se transformou em mais um símbolo da incapacidade da gestão Adriane Lopes de planejar, executar e concluir intervenções públicas dentro dos prazos prometidos. Enquanto a prefeita segue recebendo seu salário em dia e posando com nariz empinado para fotos em eventos oficiais, empresários e moradores da região acumulam prejuízos que ninguém da prefeitura parece disposto a indenizar.
Há mais de dois anos, comerciantes convivem diariamente com poeira, barro, ruas interditadas, acesso comprometido e queda drástica no movimento. O drama é ainda maior para quem investiu suas economias acreditando no desenvolvimento da região e acabou surpreendido por uma obra que não tem data para terminar.
Conforme divulgado pelo blog O Jacaré, oempresário Marcos Cacemiro é um dos retratos mais claros desse cenário. Após concluir a construção de sua revenda de veículos na Avenida Ernesto Geisel, viu seus planos de crescimento serem engolidos pelo avanço da obra. Hoje, segundo ele, é praticamente impossível entrar ou sair da loja com os veículos, justamente em um negócio cuja atividade depende da circulação dos automóveis.
O resultado é devastador. Carros cobertos de poeira, clientes afastados, vendas perdidas e um imóvel novo que já apresenta infiltrações e rachaduras atribuídas às constantes vibrações provocadas pela movimentação da obra. O prejuízo é tão grande que sequer consegue ser calculado com precisão.
É obvio que quando uma obra pública se arrasta por anos além do razoável, quem paga a conta não é o gestor responsável. Muito pelo contrário. Quem sofre são os comerciantes, os trabalhadores e os moradores que dependem da atividade econômica local para sobreviver.
Marcos relata ter perdido diversas consignações em apenas uma semana. Outros comerciantes da região enfrentam dificuldades semelhantes. Alguns fecharam as portas. Outros resistem apenas porque possuem imóvel próprio e não precisam arcar com aluguel. O sentimento predominante é de descaso e puro abandono.
O drama não se limita aos empresários. O aposentado Marcílio Severino afirma que tem um imóvel comercial vazio há cerca de dois anos porque ninguém quer alugar um espaço cercado por transtornos e incertezas. Para quem depende da renda complementar do aluguel, a demora da obra representa perda financeira direta e permanente.
O mais revoltante é que a obra começou com previsão de entrega em 2025. Agora, após sucessivas dificuldades e prorrogações, a nova promessa é de conclusão apenas em agosto de 2026. Como de costume, a população recebe mais uma explicação baseada em fatores climáticos, enquanto os prejuízos continuam se acumulando diariamente.
Depois de mais de dois anos de obra, R$ 22,5 milhões investidos e um aditivo milionário, o que a população encontra é uma avenida tomada por poeira, bloqueios, dificuldades de acesso e um comércio cada vez mais sufocado. Enquanto isso, comerciantes continuam esperando solução para um problema que não criaram. O dinheiro público segue sendo gasto, mas os resultados permanecem distantes da realidade de quem vive e trabalha na região.
A grande diferença é que Adriane Lopes não sofre qualquer consequência prática pelo atraso. Seu salário continua garantido, seu gabinete continua funcionando normalmente e sua rotina não é afetada pela poeira, pelo bloqueio de acessos ou pela queda de faturamento. Já os empresários da Avenida Ernesto Geisel convivem diariamente com prejuízos que aumentam a cada mês. A obra virou um pesadelo sem fim para quem produz, gera empregos e movimenta a economia da cidade, mas para a prefeitura parece ser apenas mais um cronograma descumprido entre tantos outros da atual gestão.