
A concessão de medida protetiva contra o diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande transformou o retorno de Sandro Benites de uma viagem internacional em um escândalo vergonhoso. A decisão judicial foi tomada às vésperas do Dia Internacional da Mulher e reconheceu indícios de violência psicológica contra uma mulher com quem ele mantinha um relacionamento há anos. O caso levanta indignação e questionamento sobre o tipo de conduta que se espera de quem ocupa cargo público.
A decisão foi assinada pelo juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva após análise da denúncia apresentada pela vítima. O magistrado entendeu que havia elementos suficientes para determinar proteção imediata diante do risco de escalada da violência. A medida impõe a Sandro Benites o dever de manter distância mínima de 500 metros da mulher, de seus familiares e das testemunhas envolvidas.
Segundo relatos reunidos na investigação, o episódio ocorreu logo após o retorno do diretor-presidente de uma viagem a Dubai. No dia seguinte à chegada, ele teria ido até a casa da mulher com quem mantinha relacionamento de aproximadamente seis anos. Como tinha chave da residência, entrou no imóvel enquanto ela dormia e iniciou uma discussão marcada por ameaças e ofensas.
De acordo com as informações apuradas, as palavras proferidas tinham o objetivo claro de diminuir e humilhar a vítima. Ela teria sido chamada de inútil e imprestável em meio a acusações de traição. A cena expõe um roteiro conhecido de controle emocional e manipulação que muitas vezes antecede episódios mais graves de violência doméstica.
A origem da crise estaria ligada à própria viagem internacional. O diretor-presidente teria informado à mulher que viajaria para um encontro com amigos ligados ao grupo conhecido como Legendários. Mais tarde veio à tona que a viagem ocorreu ao lado dos filhos e da esposa com quem ele afirmava manter um casamento apenas de fachada por razões políticas.
A descoberta dessa vida dupla provocou o rompimento do relacionamento. Segundo pessoas próximas à vítima, ela enviou mensagem encerrando a relação. Pouco tempo depois ocorreu outro episódio que aprofundou a sensação de retaliação. A mulher foi exonerada do cargo que ocupava como assessora na Câmara Municipal de Campo Grande.
Quando voltou da viagem, Sandro Benites teria utilizado a demissão da mulher como instrumento de humilhação durante a discussão. Segundo relatos de testemunhas, ele afirmou que ela havia perdido o emprego por ser incapaz e incompetente. O discurso reforça um padrão de dominação psicológica que especialistas em violência doméstica reconhecem como estratégia de desestabilização da vítima.
Fontes também indicam que as ameaças não seriam um fato isolado. Em discussão ocorrida no final de 2024 Sandro Benites teria afirmado que poderia dar um tiro na cabeça da companheira caso ela não parasse com determinadas atitudes. A gravidade da frase expõe um nível de agressividade incompatível com qualquer função pública e ainda mais grave em uma sociedade que luta para reduzir a violência contra mulheres.
A decisão judicial estabelece ainda a proibição de qualquer contato entre Sandro Benites e a vítima por qualquer meio de comunicação. O descumprimento das determinações pode levar à decretação de prisão preventiva. A Justiça deixou claro que a prioridade é impedir qualquer risco de escalada da violência.
O episódio ganha contornos ainda mais perturbadores quando se observa o contraste entre a gravidade das acusações e a postura pública de Sandro Benites nas redes sociais. Enquanto a denúncia se tornava pública, mensagens de homenagem às mulheres circulavam em suas páginas digitais.
A situação provoca indignação porque ocorre em um momento histórico de mobilização social contra a violência de gênero. Cada denúncia de ameaça ou manipulação emocional reforça a necessidade de tolerância zero diante de comportamentos abusivos. Quando o acusado ocupa posição de poder dentro da administração municipal, a cobrança por responsabilização se torna ainda maior.
O caso agora pressiona a gestão da prefeita Adriane Lopes e da vice Camilla Nascimento a dar uma resposta à sociedade. Em uma cidade que exige respeito e proteção às mulheres, é inadmissível que um integrante do primeiro escalão esteja associado a um episódio dessa natureza. O silêncio ou a complacência diante de uma denúncia grave não são opções aceitáveis para quem governa em nome da população.