
O secretário municipal de Esporte, Sandro Benites, aparece nas redes sociais como se estivesse em turnê internacional. O destino é Dubai e o tom é de influencer, mas a dúvida é: está em missão oficial ou em viagem particular?
Dubai enfrenta restrições pontuais em seu espaço aéreo em razão do aumento da tensão no Oriente Médio e de medidas de segurança adotadas pelos Emirados Árabes Unidos diante de conflitos regionais que impactam rotas comerciais. Cancelamentos e retenções em aeroportos vêm sendo registrados em diferentes momentos por precaução operacional. Se o secretário está retido, é preciso transparência total sobre o motivo da viagem, o custeio e a finalidade institucional.
A população tem o direito de saber se houve autorização formal, publicação em diário oficial, agenda institucional e relatório de atividades. Secretário não é subcelebridade digital. É gestor público. E gestor público deve satisfação permanente ao contribuinte. Em uma cidade que vive sob cobrança intensa por resultados, a exposição festiva no exterior soa como deboche.
A gestão da prefeita Adriane Lopes já enfrenta críticas pela condução de áreas sensíveis. O esporte, que deveria ser ferramenta de inclusão e prevenção, acumula queixas de falta de estrutura e planejamento. Quando o responsável pela pasta surge em clima de férias internacionais, a mensagem transmitida é de desconexão absoluta com a realidade local.
Não se trata de demonizar viagens oficiais. Missões técnicas existem e podem ser úteis. O problema é a ausência de clareza. Quem paga a conta? Qual o objetivo? Quais reuniões foram realizadas? Quais resultados serão entregues? A opacidade transforma qualquer deslocamento em suspeita legítima.
Diante do silêncio, cresce o apelo para que a Câmara Municipal exerça seu papel fiscalizador. Vereador que respeita o mandato protocola requerimento de informações, pede documentos, exige prestação de contas. A cidade não pode funcionar no improviso. A administração pública não é palco de conteúdo de rede social.
No meio do barulho surge o nome da vereadora Isa Marcondes, de Dourados, conhecida por atuação combativa nas redes e por confrontar estruturas tradicionais do poder local. Para muitos, ela simboliza firmeza e pulso em tempos de desordem administrativa. A comparação é um grito político que revela frustração com a condução da Capital.
Campo Grande não precisa de espetáculo. Precisa de comando. Precisa de gestão com foco, planejamento e respeito ao dinheiro público. Quando cada autoridade age como se estivesse em território sem lei, instala-se a sensação de que não há liderança. E cidade sem liderança vira terreno fértil para a desorganização.
Se o secretário está em missão oficial, que apresente agenda, contratos, custos e resultados esperados. Se está em viagem particular, que esclareça como conciliou o afastamento com as responsabilidades do cargo. Transparência não é favor. É dever.
Enquanto isso, o contribuinte observa, paga impostos, enfrenta filas, espera políticas públicas eficazes e assiste a um gestor em Dubai como se fosse estrela de reality. A Capital merece mais que vídeos exóticos. Merece respeito, comando e prestação de contas à altura da responsabilidade que o cargo exige.