Quebrada, Prefeitura condena desempregados ao desespero

Centenas de trabalhadores desempregados enfrentam filas quilométricas e noites ao relento em busca de uma vaga no Primt, programa apresentado como porta de entrada para a sobrevivência mínima em Campo Grande. O sacrifício humano é visível e doloroso, mas cresce a suspeita de que todo esse esforço pode ser em vão diante de uma prefeitura quebrada, sem fôlego financeiro e proibida de contratar.

As ações itinerantes promovidas pela Funsatreúnem pessoas que perderam renda, dignidade e perspectivas, atraídas pela promessa de um salário mínimo e uma cesta básica. Na prática, o que se vê são filas que começam no dia anterior, gente dormindo no chão e disputando esperança como se fosse mercadoria escassa.

O “detalhe” é que o programa funciona hoje na base do cadastro reserva, sem qualquer garantia de contratação. Mesmo assim, a promessa virou fenômeno nos bairros, impulsionada pelo desespero de quem precisa trabalhar para comer e não pode se dar ao luxo de escolher.

Já a gestão da prefeita Adriane Lopes tenta transformar essas ações em vitrine administrativa, em meio a uma cidade abandonada, com ruas esburacadas, falta de medicamentos, colapso na saúde pública e um aumento de IPTU que estrangulou a população.

Em ação realizada nas Moreninhas, por exemplo, a fila começou ainda na tarde do dia anterior. Em poucas horas, mais de 500 pessoas se inscreveram, um número que escancara a dimensão do desemprego e da informalidade em uma capital que se vende como cidade de pleno emprego.

O contraste fica ainda mais cruel quando se observa que, no ano passado, o próprio município promoveu a demissão em massa de trabalhadores do Primt. Foram cerca de 300 dispensas em novembro, reduzindo o quadro de contratados de 1,7 mil para 1,4 mil pessoas, justamente quando a demanda por trabalho só aumenta.

Além das demissões, a prefeitura editou decreto proibindo novas contratações como parte de um plano de contenção de gastos, empurrando os desempregados para uma fila que pode não levar a lugar nenhum. Questionada sobre quantas vagas serão abertas, a administração simplesmente silenciou.

O orçamento do programa para os próximos anos também virou incógnita. Não há clareza sobre recursos, número de contratações ou prazo para superar a crise financeira que paralisa a máquina pública e transforma políticas sociais em promessas vazias.

A imagem mais dura de todas é a de pessoas sem renda, sacrificando noites e dignidade em filas intermináveis. Diante disso, a pergunta é simples e cruel: até quando o desempregado será chamado a se sacrificar por um emprego que talvez nunca venha?

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