Prefeita sacrifica o povo em prol da generosidade para o primeiro escalão

Enquanto o contribuinte ainda tenta entender como pagar um IPTU que chegou a subir até 396% e enfrenta aumento na taxa do lixo, a realidade dentro do Paço Municipal segue outra lógica. Em meio ao caos administrativo, os salários dos secretários municipais foram reajustados em até 41%, revelando que a austeridade tem endereço certo e não é o gabinete do primeiro escalão.

A chefe da Casa Civil e concunhada da prefeita Adriane Lopes, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, aparece como a maior beneficiada. Seus créditos totais saltaram de pouco mais de R$ 23 mil para mais de R$ 33 mil em um ano, segundo dados do Portal da Transparência. O aumento ocorreu mesmo após o anúncio de contingenciamento que teria reduzido subsídios em 20%.

O que se vê na prática é que o corte não atingiu as gratificações pagas por fora, que tiveram correção de 47%. O subsídio pode até ter sido ajustado em determinado momento, mas os adicionais compensaram com folga, elevando o valor final recebido.

A secretária de Administração e Inovação, Andréa Alves Ferreira Rocha, também figura entre as contempladas, com reajuste de aproximadamente 29%. Os créditos totais passaram de cerca de R$ 25 mil para mais de R$ 32 mil. O aumento contrasta com a realidade dos servidores municipais que não recebem reajuste desde 2023.

Outros integrantes do primeiro escalão também tiveram elevação significativa. Valores que antes giravam na faixa de vinte e poucos mil reais agora ultrapassam facilmente os R$ 30 mil mensais, considerando subsídio e gratificações. A soma total do primeiro escalão revela cifras expressivas e invejáveis.

O cenário se torna ainda mais sensível quando confrontado com a situação da cidade. Campo Grande enfrenta buraqueira persistente, unidades de saúde sobrecarregadas, falta de medicamentos,obras paradas e servidores desmotivados e desvalorizados. A população ouve que é preciso apertar o cinto, mas assiste ao alargamento da folha do alto escalão.

O aumento do IPTU e da taxa do lixo foi justificado como medida necessária para equilibrar as contas públicas. O contribuinte foi chamado a colaborar com esforço financeiro considerável. Entretanto, a elevação dos salários do núcleo mais próximo do poder transmite mensagem contraditória e revoltante.

Não se trata só de questionar a remuneração em si, mas o momento e a coerência. Em tempos de crise declarada, reajustes robustos no primeiro escalão soam como privilégio e tanto. O discurso de dificuldade perde força quando os números mostram expansão nos ganhos da cúpula administrativa.

A diferença de tratamento da prefeita entre o cidadão comum e os ocupantes dos cargos mais elevados amplia o sentimento de injustiça e indignação. Para quem paga imposto mais caro e não vê melhoria proporcional nos serviços, a sensação é de que o esforço coletivo não é compartilhado de maneira equilibrada.

Ao reajustar os salários de secretários em meio a um cenário de restrições para os servidores e a população, Adriane Lopes assume postura que coloca em xeque a narrativa de sacrifício generalizado. A conta chegou para o povo, mas a recompensa ficou concentrada no topo da administração, onde estão apenas os queridinhos da prefeita.

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