Prefeita Adriane compara cidade esburacada a dente estragado

Ao comparar o asfalto de Campo Grande a uma “obturação velha”, a prefeita Adriane Lopes tentou transformar o caos urbano em metáfora simpática, mas acabou expondo o óbvio, ou seja, que a cidade está doente, malcuidada e há décadas sem tratamento estrutural sério.

A fala, feita em anúncio de um novo pacote de obras, soa menos como planejamento e mais como retórica reciclada, repetindo promessas já conhecidas de licitações, frentes de trabalho e ordens de serviço que, na prática, nunca conseguem acompanhar a dimensão real do problema urbano que se espalha por ruas, bairros e avenidas.

O discurso de que o problema é “histórico” virou álibi permanente para justificar a ineficiência atual, como se o passado absolvesse o presente, enquanto moradores convivem com lama, buracos, poeira, alagamentos e abandono em regiões inteiras da cidade.

O blá-blá-blá insiste em números, levantamentos técnicos e estudos, mas ignora o essencial, que é o cotidiano de quem atravessa ruas intransitáveis, enfrenta enchentes, perde bens, compromete a saúde e vive refém de uma infraestrutura precária que se arrasta sem respostas.

Ao lado do secretário da SisepMarcelo Miglioli, e da titular da SeppeCatiana Sabadin, a prefeita tenta vender a ideia de planejamento técnico, mas a cidade real desmente diariamente essa narrativa, com bairros esquecidos, obras fragmentadas e soluções improvisadas.

O argumento das chuvas como justificativa também já não convence, porque a chuva sempre existiu, mas o abandono estrutural é escolha política, resultado direto de décadas sem investimentos sérios em drenagem, urbanização integrada e planejamento urbano responsável.

Promessas de bacias de contenção, drenagem moderna e obras estruturantes se repetem como slogans, enquanto a população continua convivendo com enchentes, enxurradas e prejuízos materiais que se acumulam a cada período chuvoso.

A apresentação de grandes obras e projetos milionários tenta criar a imagem de progresso, mas não resolve o drama básico da cidade, que é garantir mobilidade, segurança e infraestrutura mínima nos bairros, longe dos holofotes, onde a vida real acontece.

O discurso de alianças políticas e parcerias institucionais, inclusive com o governador Eduardo Riedel, soa mais como estratégia eleitoral do que como compromisso com transformação urbana. Campo Grande segue refém de promessas e anúncios sucessivos, mas em vão.

No fim, a “obturação velha” virou símbolo perfeito de uma gestão que remenda, tapa buracos, faz discursos bonitos e entrega soluções frágeis, incapazes de sustentar uma cidade que cresce sem estrutura, sem planejamento e sem respeito ao cidadão que vive diariamente o colapso urbano que a propaganda oficial insiste em maquiar.

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