Lídio esconde mansão de R$ 1,1 milhão em declaração ao TSE

Uma mansão avaliada pelo município em R$ 1,16 milhão ficou fora da declaração de bens de R$ 562,3 mil apresentada pelo deputado estadual Lídio Lopes à Justiça Eleitoral. A diferença não é detalhe contábil nem assunto privado. É uma inconsistência grave que exige explicação pública, documental e imediata.

O imóvel localizado no Carandá Bosque III possui 558 metros quadrados de área construída e é apontado como residência do deputado e de sua família. Somente o IPTU lançado neste ano chegou a R$ 11,6 mil. Se a propriedade é reconhecida pelo poder público para fins tributários, o eleitor tem o direito de saber por que ela não aparece entre os bens informados pelo parlamentar.

A declaração apresentada por Lídio relaciona veículo de R$ 247 mil, aplicações de R$ 133,6 mil, ambulância, ônibus, semirreboque e até um terreno de R$ 107 mil anexado à residência. O detalhamento de tantos bens torna ainda mais estranha a ausência justamente do imóvel milionário onde a família mora.

O patrimônio declarado pelo deputado passou de R$ 288 mil em 2022 para aproximadamente R$ 562 mil em 2026, um crescimento próximo de 95%. Mesmo assim, a mansão avaliada em mais do que o dobro de todos os bens declarados continua fora da relação apresentada ao TSE, conforme o levantamento publicado.

Declaração patrimonial não é mera formalidade eleitoral. Ela existe para permitir que a sociedade acompanhe a evolução econômica de quem exerce mandato público, identifique possíveis conflitos de interesses e cobre coerência entre renda, patrimônio e atuação política.

A omissão decorreu de erro, de alguma particularidade registral, do regime de bens do casal ou de uma tentativa deliberada de esconder patrimônio? Seria por causa da origem dos recursos utilizados na aquisição? A pergunta é inevitável diante da discrepância.

O caminho para afastar a suspeita é simples. Lídio precisa apresentar a matrícula atualizada do imóvel, identificar o proprietário registral, informar a data e o valor da aquisição, esclarecer a origem dos recursos e explicar juridicamente por que a residência não foi incluída na declaração eleitoral.

Segundo as informações divulgadas, a mansão também não apareceu na declaração apresentada pela prefeita Adriane Lopes nas eleições de 2024. Se o imóvel não pertence a nenhum dos dois, cabe esclarecer quem é o proprietário e em que condições a família ocupa uma residência avaliada em mais de R$ 1 milhão.

O silêncio atribuído à assessoria do deputado apenas aumenta a desconfiança. Quem ocupa cargo público e pede novamente a confiança do eleitor não pode tratar questionamentos sobre patrimônio como incômodo pessoal, principalmente quando os números declarados parecem incompatíveis com a realidade exposta.

Lídio pode encerrar a controvérsia apresentando documentos e uma explicação convincente. Enquanto isso não acontecer, permanecerá uma imagem politicamente devastadora, a de uma mansão visível para toda a cidade, mas invisível na declaração de quem pretende continuar representando a população.

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