
Cerca de 5 mil crianças continuam esperando por uma vaga na educação infantil em Campo Grande, enquanto a gestão de Adriane Lopes acumula atrasos, paralisações e promessas descumpridas nas obras das Emeis. A prefeita prometeu reduzir a fila, recebeu recursos e anunciou retomadas, mas ainda não consegue entregar unidades essenciais para milhares de famílias.
Em setembro de 2025, a lista de espera reunia exatamente 5.638 crianças. Em fevereiro deste ano, a Câmara Municipal informou que aproximadamente 5 mil alunos ainda aguardavam atendimento. Levantamento publicado em junho voltou a apontar mais de 5 mil crianças sem vaga, mostrando que o problema permanece distante de uma solução definitiva.
A Prefeitura chegou a anunciar a criação de mais de 5 mil vagas e projetou reduzir a fila para aproximadamente 2 mil crianças em 2026. Até agora, porém, não há comprovação pública de que essa meta tenha sido alcançada. O número mais recente disponível continua girando em torno de 5 mil crianças à espera de um direito básico.
Mesmo diante desse déficit assustador, a conclusão da Emei da Vila Popular foi adiada por mais cinco meses. A empresa Gimenez Engenharia foi contratada em janeiro de 2025, mas recebeu outros 150 dias para terminar o serviço. A gestão municipal não explicou o motivo do atraso e se limitou a mencionar uma justificativa técnica validada internamente.
A situação da Emei do Oliveira III é ainda mais revoltante. A construção começou em 2013 e nunca foi concluída. A unidade foi projetada para oferecer 250 vagas e contar com oito salas de aula, mas atravessou diferentes administrações presa a uma sequência de abandonos, retomadas e novas interrupções.
Em janeiro de 2024, a Prefeitura anunciou a contratação da 2WL Engenharia pelo valor de R$ 2,2 milhões e informou que os trabalhos seriam executados em 300 dias. No início de 2025, Adriane Lopes esteve no local e prometeu concluir a unidade até o final daquele ano. O prazo venceu, a Emei não foi entregue e a obra voltou a enfrentar problemas.
A Prefeitura tentou minimizar a situação afirmando que houve apenas um ajuste contratual e que os serviços continuariam em campo. Também apresentou novembro como nova previsão de conclusão. Depois de mais de uma década de espera, no entanto, qualquer nova promessa exige mais do que palavras. Exige obra concluída, equipe contratada e crianças dentro das salas.
O problema também alcança a Emei do Jardim Anache, que poderia abrir mais de 200 vagas e teve nova ordem de paralisação publicada sem explicação. Somadas, apenas as unidades do Oliveira III e do Anache poderiam atender cerca de 500 crianças. Mesmo assim, permanecem incapazes de aliviar uma fila que sufoca milhares de famílias.
Cada Emei que Adriane não consegue terminar representa mães impedidas de trabalhar, famílias obrigadas a pagar cuidados particulares e crianças privadas de uma etapa fundamental do desenvolvimento. A demora não fica restrita aos canteiros de obras. Ela compromete renda, amplia desigualdades e condena famílias inteiras a uma espera sem prazo confiável para terminar.
Campo Grande mantém cerca de 5 mil crianças fora da educação infantil enquanto a Prefeitura coleciona prorrogações e desculpas. Adriane Lopes demonstra que não dá conta de concluir nem as unidades que poderiam reduzir parte do déficit. Para a gestão, cinco meses parecem apenas mais um prazo. Para uma criança, são cinco meses de uma infância que não volta.