R$ 96 a mais no salário mínimo: o que esse dinheiro compra no supermercado?

Para entender na prática o que esse valor representa, a reportagem foi ao supermercado e montou uma lista com alimentos e produtos de higiene e limpeza. Entre os itens, estão arroz, feijão, açúcar, óleo, leite, macarrão, tomate, cebola, além de sabão, detergente, papel higiênico, creme dental e sabonete.

Alguns dos valores mais altos ficaram com o arroz, que custou R$ 16,79, o papel higiênico, a R$ 7,95, o óleo, a R$ 6,99, e o feijão, a R$ 6,99. Já itens como sabonete, creme dental e macarrão aparecem com valores menores, mas, somados, também pesam na conta final. E é justamente essa soma de pequenos gastos que faz a diferença no fim do mês

“Não muda nada. O que você faz com R$ 96? Não dá pra comprar quase nada! Imagina um pai de família; esse dinheiro não resolve, é muito pouco”, relata a aposentada Filomena Palhares.

A previsão é de que o salário mínimo passe dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.717 em 2027. O reajuste representaria R$ 96 a mais por mês. Mas, diante do preço dos produtos básicos, a pergunta é se esse aumento realmente representa mais poder de compra para quem vive com o piso nacional.

“Efetivamente, claro que é algo que tem que se comemorar, quase R$ 100 a mais no salário de um trabalhador é uma boa diferença. Mas quem vive apenas de salário mínimo vive com muita dificuldade; R$ 100 é pouco mais de três ou quatro itens no mercado. Esse salário não supre a necessidade nem de uma pessoa individual, quem dirá de uma família. Aquele que vive de salário mínimo não vai poder melhorar sua vida efetivamente”, opina o professor de Economia Eronildo Barbosa da Silva.

Em Campo Grande, a cesta básica já consome uma parcela significativa do salário mínimo. O cálculo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta para um valor de renda necessária muito acima do piso nacional para garantir as despesas básicas de uma família.

“O salário tá muito defasado, não dá pra comprar nada. Passei essa semana com meu sobrinho pra comprar remédio. Tudo deu mais de R$ 500. Você vai ao mercado e não pode comprar nada diferente, é só o básico. Sobre o salário, é só tudo junto, então não faz muita diferença”, explica Denise Barbosa, atualmente dona de casa e em busca de emprego.

No fim das contas, os R$ 96 podem até ajudar a completar a compra do mês. Mas, para quem precisa escolher o que vai ou não para o carrinho, o aumento pode representar apenas mais um pequeno alívio dentro de um orçamento que já começa apertado.

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