Com 21 feminicídios em MS, mulheres se unem em manifestação contra a violência na Capital 

Já são 21 feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em oito meses, de acordo com dados da Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul). Diante dos números, o movimento “A Coletiva Feminista Antirracista”, em Campo Grande, lançou uma campanha de combate à violência contra a mulher, com a hashtag #MStodasvivas. Na manhã desta quarta-feira (12), por volta das 6h, cerca de 20 pessoas fizeram uma manifestação no terminal de ônibus da Vila Bandeirantes contra o feminicídio e demais crimes contra a mulher.

O objetivo, além de alertar para os números, foi lutar por mais políticas públicas destinadas ao combate à violência.

Vítima recente de violência, a manicure Alessandra Ramos de Faria reforça a importância dos meios legais que protegem a mulher, como a Lei Maria da Penha.

“Ela [a mulher] tem de ser orientada. E essa orientação e responsabilidade devem vir desde o berço. Hoje em dia existem muitos homens violentos. Eu passei por uma agressão em casa, há pouco tempo, mas hoje eu estou bem, graças a Deus. Tem poucos dias, mas vou vencer. Se cuidem. A medida protetiva está aí.”

Manicure Alessandra Ramos de Faria, vítima de violência. (Foto: Pietra Dorneles/Midiamax)

Com a intenção de alcançar mais mulheres, o grupo se reuniu e lembrou a importância da denúncia. “O objetivo é alcançarmos mais mulheres para elas denunciarem. Porque o feminicídio não é [só] uma tragédia, mas um crime. Então, precisamos alcançar mais pessoas, mais mulheres para denunciar. Há uma morte a cada 9 horas no Brasil. Para mim, mulher, a gente está sendo morta por ser mulher! Isso é terrível em pleno século 21. E as pessoas pensam que é uma brincadeira um crime que mata mulheres. Temos de combater todos os dias”, ressaltou a assessora Edilaine Soares Gonçalves.

Com cartazes de repúdio e mensagens orientando para números de atendimento às vítimas, como o 180, os manifestantes pediam mais atenção aos direitos das mulheres na sociedade. “Todo mundo tem de se indignar com os números que temos visto ultimamente. A gente não tem outra opção a não ser ir para a rua lutar pelos direitos que a gente tem e conquistar mais direitos”, reforçou a também assessora Alice Soares.

Segundo Alice, a manifestação visava, ainda, “conquistar, principalmente, mais orçamento destinado às políticas públicas para que essas políticas sejam efetivadas. Não adianta a gente ter uma lei no papel se não temos governos que apliquem essas políticas com orçamento e órgão próprio”.

A ação tinha o intuito de chegar até mulheres trabalhadoras e, por isso, o grupo se reuniu no terminal de ônibus, bem cedo, a fim de alcançar todos que passavam pelo local.

Na panfletagem do movimento, o técnico de suporte Clever Renan reforça a importância da denúncia em casos de violência. “A primeira coisa de fato é denunciar. Você não pode ficar calado em uma situação de violência. Às vezes pode estar acontecendo do seu lado e você faz vista grossa.”

A professora Maria Rosana lembrou que o combate à violência começa com a educação dos jovens. “É preciso discutir que meninos e meninas estamos educando, que jovens nós queremos, que adultos nós queremos, e desconstruir essa ideia da violência como fator de relação entre as pessoas. Não é possível uma coisa dessas. Não é possível no ambiente doméstico, no lar, a frustração, a raiva virarem violência, feminicídio. É isso que temos que desconstruir. E isso passa pela educação, passa por dialogar com as pessoas sobre isso, passa por refletirmos juntos sobre que mundo nós queremos. E nós queremos um mundo sem violência.”

📍 Onde buscar ajuda em MS

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.

Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.

☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.

As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.

Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.

📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.

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