
A forma inusitada de buraco em formato de coração estava na Rua dos Barbosas/Manoel Nascimento/IA/Arte: Alice Assis.
Acidentes, danos materiais, mortos, feridos, insegurança no tráfego e uma série de outros transtornos retratam o caos urbano que vem castigando Campo Grande e seus habitantes nos últimos anos, sobretudo na gestão de Adriane Lopes (PP).
O que ainda se salva na cidade são as obras e outros tipos de auxílio sistematicamente patrocinados pelo governo estadual, como a pavimentação e drenagem, de bairros e os aportes financeiros ao sistema de transporte e à Santa Casa.

A buraqueira que inferniza o cotidiano de pedestres e veículos nas sete regiões urbanas e na zona rural não é erradicada desde que a prefeita assumiu o primeiro mandato, em abril de 2022.
Apesar das promessas e das diversas vezes em que anunciou e iniciou serviços de tapa-buracos, como fez há dois meses, Adriane continua apanhando em mais esta pauta de atribuições que lhe competem.
Prova deste desleixo é o volume de reclamações diárias manifestadas pela população. O presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Papy (PSDB), disse que apenas no primeiro semestre deste ano, das 24.673 indicações da Casa ao Executivo, 8.931 (ou 36,2% do total) solicitam tapa-buracos. O próprio gabinete do vereador registra que 43% das indicações de sua autoria tratam da mesma demanda.
Diante destes números e da incapacidade da prefeitura de resolver o problema, a vereadora Luiza Ribeiro (PT), está requerendo uma Comissão Parlamentar de Inquérito para saber as razões pelas quais o serviço de tapa-buracos não apresenta resultados satisfatórios. Chamada CPI dos Buracos, a iniciativa precisa de 10 assinaturas para avançar.
“A causa desse caos na cidade foi causado pela deterioração das vias públicas. Já foram lançadas diversas operações tapa-buracos, mas a grande maioria das ruas continua na mesma”, ataca a vereadora.
“A buraqueira não é apenas resultado da incompetência. Toda a imprensa divulgou que a gestora tem sido leniente com os atos de corrupção e improbidade na execução dos serviços de manutenção”, emendou.
“Existe um dado que chama muita atenção: em 2025, foram destinados mais de R$ 132 milhões para o serviço. Em 2026, a previsão caiu para pouco mais de R$ 40 milhões. Houve uma redução de cerca de 70% nos recursos.
Enquanto o investimento despenca, os buracos só aumentam”, emendou.
O Tribunal de Contas (TCE-MS) cobrou da prefeitura informações sobre o andamento do tapa-buracos. O conselheiro Osmar Domingues Jeronymo garantiu que o TCE continuaria acompanhando a execução das medidas, podendo adotar providências se houver descumprimento dos compromissos. Luiza observou que foi citada a Operação “Buraco Sem Fim”, na qual se levantou a suspeita de conluio entre servidores municipais e empreiteiros para fraudar os serviços na cidade.

Fila do desespero
Além das crateras nas vias públicas, uma série de outros desleixos contribui com o sofrimento dos campo-grandenses. Na saúde, segundo apuração do vereador Maicon Nogueira, mais de 10 mil pessoas estavam na fila esperando por exames de endoscopia. E enquanto isso, um equipamento disponível no Centro de Especialidades Médicas (CEM) permanecia sem utilização por falta de profissional.
Maicon salientou que vem cobrando a Secretaria Municipal de Saúde há meses. “O aparelho está parado há cerca de um ano e meio, porque o município não dispõe de um endoscopista para realizar os procedimentos”, frisou.
O vereador já tratou do problema pessoalmente com o secretário de Saúde e formalizou pedidos de providências, mas os atendimentos ainda não foram retomados. Para ele, a demora ultrapassa o problema da fila e pode comprometer o diagnóstico precoce de doenças.
“A endoscopia é utilizada na investigação de diferentes alterações do sistema digestivo”, explicou. “Quando uma pessoa não consegue fazer o diagnóstico precoce de um tumor ou um câncer, as consequências podem ser muito maiores. Falamos primeiro da vida dos pacientes e, depois, do custo para o município, porque uma doença diagnosticada em estágio mais avançado pode exigir um tratamento muito mais complexo”, acrescentou.