
A condução política do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy, tem se consolidado como um exemplo raro de equilíbrio, paciência, sabedoria, maturidade e efetividade dentro do parlamento. Em tempos de radicalização e embates estéreis, sua postura demonstra que liderança de verdade não é impor, mas construir.
O episódio recente envolvendo um projeto polêmico na área da educação escancarou essa capacidade. O que poderia facilmente se transformar em mais um confronto ideológico sem saída acabou se tornando um caso concreto de diálogo produtivo, articulação política e resultado prático para a sociedade.
A proposta, de autoria do vereador Rafael Tavares, inicialmente cercada de tensão, provocou reação de entidades representativas dos professores e levantou preocupações sobre a autonomia dos profissionais da educação. O ambiente estava desenhado para o conflito e para o endurecimento das posições.
Foi nesse cenário que a liderança de Papy fez a diferença. Em vez de permitir que o debate descambasse para o radicalismo, ele atuou como ponto de equilíbrio, abrindo espaço para o diálogo entre todos os envolvidos e garantindo que as vozes fossem ouvidas.
O movimento não foi simples. Exigiu paciência, escuta ativa e, acima de tudo, capacidade de articulação. O próprio reconhecimento de colegas evidencia isso, inclusive do próprio Rafael Tavares, que recuou em pontos do projeto após o processo de construção coletiva.
A articulação contou também com o papel fundamental do vereador Professor Juari, presidente da Comissão de Educação, que ajudou a coordenar o entendimento técnico e político necessário para viabilizar o acordo dentro da Casa.
Outro ator importante nesse processo foi o Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), que levou as preocupações da categoria e participou ativamente das discussões, contribuindo para o aprimoramento do texto e garantindo que as prerrogativas dos profissionais fossem respeitadas.
O resultado foi uma construção coletiva que preservou o essencial de cada lado. De um lado, os pais passaram a ter acesso prévio às atividades extracurriculares desenvolvidas nas escolas públicas, atendendo a uma demanda legítima da sociedade.
De outro, as prerrogativas dos professores foram resguardadas, evitando interferências indevidas na atuação pedagógica. A Comissão de Educação atuou de forma decisiva, mas foi a condução da presidência que garantiu que o processo não se perdesse em conflitos.
O mais relevante desse processo é a mensagem que ele transmite. É possível divergir sem romper. É possível defender posições firmes sem inviabilizar soluções. E é possível fazer política com responsabilidade, sem transformar o parlamento em um campo de batalha permanente.
A liderança de Papy mostra que o acordo não diminui a capacidade combativa de nenhum vereador, seja de direita ou de esquerda. Ao contrário, fortalece a atuação parlamentar ao gerar resultados concretos para a população.
Essa postura fortalece o papel institucional da Câmara e resgata a essência do parlamento como espaço de construção coletiva. O cidadão não espera discursos inflamados, espera soluções. E soluções só surgem quando há disposição para ouvir, ceder e construir.
Ao conduzir o processo com firmeza e equilíbrio, Papy evita que debates importantes se transformem em crises desnecessárias. Ele impede que o ambiente político se deteriore e garante que as pautas avancem com responsabilidade e foco no interesse público.
No fim, o que se vê é uma liderança que entrega mais do que discurso. Entrega resultado. Uma liderança que entende que o verdadeiro papel do parlamento não é alimentar conflitos, mas transformá-los em soluções que impactam positivamente a vida da população.