
A empresa Engepar Engenharia e Participações Ltda. voltou ao centro das críticas em Mato Grosso do Sul após a vereadora Isa Jane Marcondes denunciar a precariedade do recapeamento realizado na Avenida Coronel Ponciano, em Dourados. O asfalto cedeu, rachou e apresentou falhas graves pouco tempo depois da execução da obra, reforçando a revolta da população contra uma empresa que, mesmo cercada por investigações e denúncias ao longo dos anos, continua faturando milhões em contratos públicos.
As imagens divulgadas pela parlamentar causaram indignação imediata porque mostram exatamente aquilo que o contribuinte mais teme. Dinheiro público sendo despejado em obras que não suportam o mínimo teste de qualidade. Em vários trechos da via, o pavimento apresenta desgaste precoce e sinais evidentes de serviço mal executado, transformando o que deveria ser melhoria em mais um símbolo de desperdício.
A revolta aumenta porque o nome da Engepar não aparece pela primeira vez em situações polêmicas. A empresa carrega um histórico marcado por investigações envolvendo contratos públicos, suspeitas de irregularidades e questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados. Ainda assim, segue transitando com enorme facilidade entre administrações públicas e licitações milionárias.
Em 2015, a Engepar esteve no radar da Operação Tapa Buracos, investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual que apurou suspeitas de pagamento de propinas em contratos ligados a obras de manutenção asfáltica em Campo Grande. O caso ganhou enorme repercussão justamente por envolver um setor historicamente marcado por denúncias de desperdício e serviços de baixa durabilidade.
A empresa também foi alvo de ação relacionada a crime ambiental após o Ministério Público apontar o uso irregular de um terreno pertencente à Prefeitura de Campo Grande como aterro clandestino para descarte de resíduos da construção civil. A denúncia ampliou ainda mais a lista de episódios negativos associados ao nome da empreiteira.
O histórico da Engepar também inclui ação movida pelo Ministério Público Federal envolvendo supostas fraudes e restrição de competitividade em licitações para revitalização da Praça Jan Antônio Bata, em Batayporã.
O acúmulo de investigações, denúncias e suspeitas envolvendo contratos públicos transforma a revolta da população em algo absolutamente compreensível diante de um histórico que se repete há anos sem qualquer constrangimento dos envolvidos.
Mesmo assim, a empresa continua sendo presença frequente em contratos públicos milionários. Essa permanência levanta questionamentos inevitáveis sobre os critérios utilizados por gestores públicos na escolha de empresas responsáveis por obras tão importantes para a população. Afinal, quantas denúncias ainda serão necessárias para que exista rigor verdadeiro na fiscalização desses contratos?
Enquanto isso, a população convive diariamente com ruas deterioradas, prejuízos em veículos e a sensação de abandono. O cidadão paga impostos elevados esperando infraestrutura minimamente eficiente, mas recebe em troca recapeamentos que parecem ter prazo de validade cada vez menor.
A denúncia feita por Isa Jane Marcondes escancarou um sentimento coletivo de revolta que vai muito além de Dourados. O problema não está apenas em um trecho de avenida. Está em uma cultura antiga de tolerância com serviços públicos de baixa qualidade e na aparente incapacidade do poder público de romper relações com empresas constantemente envolvidas em maracutaia.
No fim, sobra para a população o papel de financiar essa engrenagem desgastada. A Engepar segue acumulando contratos, o asfalto segue cedendo e o contribuinte segue pagando a conta de obras quedesaparecem junto com a primeira chuva, deixando para trás apenas buracos, prejuízos e revolta.