
Fevereiro de 2026 começa com o calendário virado, 2025 oficialmente enterrado e o velho cansativo discurso de responsabilidade pública novamente em circulação, mas longe da prática. Com a retomada dos trabalhos legislativos, a expectativa de açõesem favor do interesse coletivo esbarra em um silêncio vergonhoso sobre o duodécimo que sobrou no ano passado e que, até agora, não deu sinal algum de retorno aos cofres públicos. Aliás, nem o valor que já deveria ter sido devolvido foi divulgado.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul(Alems) atravessou o fim do ano com sobras de caixa e recomeçou os trabalhos em 2026 fingindo normalidade. Houve sobra, houve economia, houve falsa promessa sobre zelo com o dinheiro público. O que não houve mesmo foi a devolução do duodécimo ao erário, prática que deveria ser regra quando o dinheiro público dorme sem função.
Enquanto a população enfrenta caos, cortes, incontáveis problemas e prioridades invertidas, o Legislativo estadual simplesmente não trata sobre a devolução do dinheiro. Cogitar não se cogita, mencionar não se menciona, explicar não se explica. Preferiu adotar o silêncio e fingir naturalidade.
O duodécimo não é prêmio, não é bônus, não é herança. É recurso carimbado para funcionamento e não para engordar saldo ao fim do exercício. Se sobrou, devolve. Simples assim.
O que salta aos olhos é a naturalização desse comportamento dentro da própria Casa Legislativa. A sobra do duodécimo é tratada como assunto engavetado e não como uma decisão política que exige ação transparente. Enquanto o plenário retoma discursos e agendas protocolares, o dinheiro que sobrou segue intocado, longe do debate e ainda mais distante de qualquer gesto de devolução.
Não se trata de apenas de legalidade, mas de ética. A devolução do duodécimo é sinal de maturidade, responsabilidade, compromisso e respeito ao contribuinte. Não devolver é optar pelo conforto em vez do dever, é mostrar que Assembleia prefere acumular a prestar contas.
Em 2025, falou-se muito em sobra. Falou-se em gestão responsável. Falou-se em exemplo. Em 2026, com os trabalhos retomados, nada se fala sobre a devolução do dinheiro público que sobrou.
Mas, se sobrou, por que não voltou? Qual é exatamente o valor? Fevereiro avança, o ano também, e a Assembleia segue devendo dinheiro, responsabilidade, respeito, seriedade, exemplo, honestidade e transparência.