Campo Grande paga caro para viver no escuro

Cobrada religiosamente, mês a mês, na conta de energia, a Cosip virou sinônimo de indignação em Campo Grande. O bolso do contribuinte é pesado enquanto ruas, praças e avenidas seguem mergulhadas na escuridão, em meio a um escândalo que envolve suspeitas de corrupção em contratos de iluminação pública, com a participação da Construtora JLC Ltda e um rombo estimado em mais de R$ 110 milhões aos cofres públicos, segundo investigações em curso.

O tributo municipal, criado para custear instalação, manutenção e melhorias da iluminação pública, deveria garantir segurança e dignidade urbana. Na prática, porém, apenas drena recursos da população, que convive com postes apagados e lâmpadas queimadas por semanas.

Moradores relatam esperar até três semanas para que um simples ponto de luz volte a funcionar, tempo suficiente para ampliar o medo, aumentar riscos de violência e transformar o trajeto noturno em um exercício diário de insegurança, tudo isso enquanto a cobrança segue intacta na fatura mensal.

Extratos de contas de luz mostram valores que chegam a R$ 55 apenas de Cosip, a depender do consumo. É uma cobrança que pesa no orçamento familiar e revolta quem paga sem receber o serviço mínimo prometido pelo poder público.

A irritação popular não é contra a existência da taxa, mas contra a completa ausência de retorno, já que a prefeitura não consegue assegurar sequer o funcionamento básico da iluminação em pontos sensíveis como paradas de ônibus, praças e áreas próximas a escolas.

O sentimento de revolta cresce ainda mais quando regiões inteiras permanecem no escuro por meses, sem qualquer manutenção, justamente no momento em que a administração municipal enfrenta investigação por suspeitas de corrupção envolvendo contratos de iluminação pública.

Conforme amplamente noticiado, empresas privadas e servidores da Sisep teriam montado um esquema de superfaturamento em contratos firmados a partir de 2024, na gestão da prefeita Adriane Lopes.

Segundo a denúncia, agentes públicos e empresas como a Construtora JLC Ltda operaram um sistema de direcionamento de contratos e desvio de recursos públicos destinados à manutenção da iluminação da capital sul-mato-grossense, transformando um serviço essencial em balcão de negócios.

Durante as apurações, o Gaeco identificou que as fraudes iam além de um único núcleo e apontou a existência de outro grupo criminoso que utilizava valores da Cosip, inclusive por meio da criação de empresas de fachada, em um esquema que afronta o interesse público.

Com atuação conjunta do Ministério Público de Santa Catarina, a estimativa é de que o prejuízo aos cofres públicos de Campo Grande ultrapasse R$ 110 milhões. Trata-se de um escândalo que merece repúdio absoluto, pois enquanto dinheiro público é drenado por esquemas de corrupção, a população segue pagando caro por um serviço feito pelas coxas e por uma cidade que, vergonhosamente, permanece às escuras.

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