
O que acontece na Rua Álvaro Cotrin, número 63, no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, não é apenas um problema de poda ou manutenção urbana. É um pedido de socorro ignorado. É uma família vivendo sob a sombra de um desastre anunciado enquanto o poder público finge não ouvir o barulho da madeira estalando antes da queda.
Desde 2024, o morador vem acionando a Energisa, a prefeitura, assessores de vereadores, qualquer autoridade que pudesse ao menos enviar uma equipe técnica para avaliar o risco. Cinco árvores cercavam a casa. Quatro já caíram. Não foi falta de aviso. Foi falta de ação. Foi descaso.
Recentemente, uma das árvores tombou sobre o carro da família e destruiu o veículo. O prejuízo ficou para quem sempre paga a conta. Para quem trabalha, luta e tenta manter a dignidade em meio ao abandono. O que poderia ter sido evitado com uma simples intervenção virou dano e revolta legítima.
Agora, o cenário é ainda mais assustador. Uma árvore do outro lado da rua está inclinada na direção da residência. O tronco aponta diretamente para o quarto das crianças. Em dias de chuva, o medo vira rotina. A família corre para o fundo da casa, tentando escapar de uma possível tragédia. Dormir deixou de ser descanso e virou vigília.
A cada temporal, o vento não traz apenas água e barulho. Traz a incerteza. Traz o pânico. Traz a sensação de que, se algo acontecer, será tarde demais para protocolos, ofícios e desculpas burocráticas. A pergunta que que fica é simples e direta: vão esperar cair sobre as crianças para agir?
Não se trata de capricho, nem de implicância com árvore. Trata-se de risco iminente. Trata-se de segurança básica. Quando uma família já registrou pedidos, quando já houve queda anterior, quando já houve prejuízo material, a omissão deixa de ser falha administrativa e passa a flertar com a irresponsabilidade e com a incompetência.
O morador afirma que já ligou inúmeras vezes. Energisa foi até o local e não cortou. Equipe da prefeitura compareceu e também não realizou a supressão. Assessores foram acionados. Promessas foram feitas. A solução nunca chegou. A árvore continua lá, inclinada, ameaçadora, silenciosa antes do estrondo.
Campo Grande não pode naturalizar o risco. Não pode transformar o medo de uma família em estatística futura. Gestão pública se mede também nos pequenos dramas cotidianos, na capacidade de prevenir tragédias simples, na disposição de agir antes da sirene do resgate.
Quando o cidadão cumpre sua parte e comunica o perigo, o mínimo que se espera é resposta. O que se vê, neste caso, é um empurra-empurra que deixa uma família inteira exposta. Não é exagero dizer que cada chuva virou uma roleta russa doméstica.
Esta não é apenas uma reclamação. É um alerta público. É um grito vindo do Aero Rancho pedindo providência antes que a próxima árvore não destrua apenas um carro, mas destrua sonhos, segurança e talvez vidas. Ainda há tempo de agir. Depois, qualquer nota oficial será apenas tentativa tardia de justificar o injustificável.