
A engrenagem das obras públicas em Mato Grosso do Sul está no centro das críticas e com endereço certo, já que a permanência de Rudi Fiorese no comando da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) tem sido apontada como um dos principais gargalos para o avanço de investimentos que deveriam chegar com mais rapidez aos municípios.
Prefeitos, lideranças locais e até aliados do governonão escondem a insatisfação com o ritmo das obras. A sensação generalizada é de lentidão e burocracia excessiva diante de demandas urgentes que impactam diretamente a vida da população.
Contudo, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político quando a cobrança chega ao gabinete do governador Eduardo Riedel. Em ano de forte movimentação política, manter um gestor que não entrega resultados pode custar caro, especialmente quando as promessas de desenvolvimento esbarram na realidade da ineficácia.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a Agesulperdeu capacidade de execução. Projetos importantes enfrentam atrasos recorrentes, enquanto municípios aguardam intervenções básicas que deveriam ser prioridade em qualquer gestão comprometida com infraestrutura.
A insatisfação não é pontual nem isolada. Trata-se de um coro que se espalha por diferentes regiões do Estado, revelando um problema estrutural na condução das políticas de obras públicas.
O desgaste é ainda maior porque a expectativa criada pelo atual governo era justamente de eficiência e modernização da gestão. No entanto, o que se vê é um cenário que lembra velhos problemas administrativos, com pouca resolutividade e nenhum profissionalismo.
A permanência de Rudi Fiorese no cargo passa a ser vista como um risco político porque quanto mais tempo a situação se arrasta, maior é o desgaste acumulado para Eduardo Riedel, que acaba sendo cobrado por falhas que, na prática, têm origem na gestão operacional das obras.
E não se trata apenas de imagem. Obras atrasadas significam prejuízo econômico, perda de oportunidades e impacto direto na qualidade de vida da população. Estradas deterioradas, projetos inacabados e infraestrutura precária são problemas que não esperam calendário eleitoral.
Diante desse cenário, a pressão por mudanças tende a aumentar. A leitura política é simples e direta: ou há uma guinada na condução da Agesul, ou há imediata troca de comando ou o custo será pago nas urnas, em outubro.
Só lembrando que o relógio político não perdoa inércia. E, aproveitando o espaço, aqui fica o alerta de que manter tudo como está pode ser interpretado como conivência com a ineficiência e, em política, a omissão costuma cobrar um preço alto e inevitável.Será que o Governo está disposto a pagar?