Um ano após a entrega de casas, bairro afundano abandono

Um ano depois da entrega das casas no Bairro Oscar Salazar, a promessa de moradia digna virou pesadelo de lama, escuridão e descaso. As imagens e vídeos feitos pelos próprios moradores escancaram a precariedade de um conjunto habitacional que, passado o período das inaugurações e discursos, foi simplesmente largado à própria sorte.

Em dias de chuva, as ruas do bairro deixam de cumprir sua função básica e se transformam em verdadeiros rios. A água invade acessos, abre buracos e impede qualquer tipo de deslocamento. Caminhar se torna perigoso, passar de moto é quase impossível e circular de carro vira aposta de risco.

O problema estrutural se soma a outro ainda mais alarmante. Moradores da Rua Rosa Maria Lopes Contos relatam que vivem praticamente no escuro há cerca de um ano. Os postes de iluminação pública não funcionam e, à noite, a única claridade vem das luzes improvisadas das próprias casas, cenário que aumenta a sensação de insegurança e abandono.

Segundo relatos, pedidos foram feitos, matérias já foram publicadas e a Prefeitura foi acionada diversas vezes. A resposta, no entanto, nunca veio. A falta de iluminação não é detalhe, é fator de risco diário, especialmente para crianças e idosos que vivem no local e precisam circular pela rua após o anoitecer.

A combinação entre falta de iluminação e vias intransitáveis cria um ambiente hostil. Quando chove, a rua vira um grande buraco alagado, obrigando moradores a atravessarem o mato para conseguir passar. Quem não tem essa alternativa acaba enfrentando a água, o barro e o risco constante de quedas e acidentes.

Outro símbolo do descaso é o bueiro aberto, escancarado pela força da enxurrada. Sem qualquer proteção ou sinalização, ele representa ameaça permanente. Crianças brincam nas proximidades, idosos caminham com dificuldade e o perigo parece invisível apenas para quem deveria resolvê-lo.

As casas foram entregues pela prefeita Adriane Lopes como vitrine de política habitacional. Na teoria, seriam lares seguros e estruturados. Na prática, sem pavimentação, drenagem e iluminação, o conjunto revela que a política pública parou na cerimônia de entrega das chaves.

O mais irônico é que se trata de moradias novas, mas cercadas por problemas antigos. O abandono chegou cedo e se instalou com força, mostrando que entregar casas sem infraestrutura urbana é apenas transferir o problema para quem menos pode resolvê-lo.

As famílias do Oscar Salazar não pedem luxo nem obras mirabolantes. Pedem o básico. Rua que não vire rio, iluminação para garantir segurança à noite e manutenção mínima para que o bairro não se torne uma armadilha a cada chuva.

O abandono também expõe uma lógica perversa de gestão. Adriane Lopes aparece para entregar, fotografar e anunciar, mas desaparece quando é preciso manter, cuidar e corrigir erros evidentes. O bairro vira estatística esquecida logo após cumprir seu papel político.

No Oscar Salazar, a água que corre pelas ruas e a escuridão que toma conta das noites são mais do que problemas urbanos. São o retrato de uma prefeita que entrega casas, mas não garante dignidade. Um ano depois, os moradores seguem esperando por ações mínimas que nunca deveriam ter faltado.

*Chapéu: Oscar Salazar

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