Truculência no plenário leva Lídio Lopes a ser investigado por ameaça

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul deu mais um golpe na já desgastada imagem do deputado estadual Lídio Lopes. O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva autorizou a abertura de inquérito policial para apurar crime de ameaça contra o colega de parlamento, Pedro Pedrossian Neto. A cena, registrada em pleno plenário da Assembleia Legislativa, não poderia ser mais constrangedora: o marido da prefeita Adriane Lopes trocando o discurso pela truculência física.

O episódio ocorreu em outubro de 2024, em meio à tensão eleitoral que colocou Adriane Lopes no segundo turno contra Rose Modesto. Pedrossian Neto ousou questionar o pagamento do 13º salário dos servidores municipais e, em vez de responder com argumentos, Lídio atravessou o plenário, empurrou o adversário e disparou ameaças dignas de filme de gangster barato: “você vai ver o que vou fazer com você na segunda-feira”.

Como se não bastasse repetir a ameaça duas vezes, ainda sacudiu o ombro do colega e encerrou o espetáculo com a elegância de sempre, disparando “você é um idiota”. Em qualquer democracia madura, seria caso de cassação imediata. Aqui, virou boletim de ocorrência, seguido de um inquérito que só agora começa a andar.

A investigação ficará a cargo da 3ª Delegacia da Polícia Civil de Campo Grande. Além da vítima e do acusado, a deputada Lia Nogueira, que alertou Pedrossian sobre o temperamento explosivo do “primeiro cavalheiro da cidade”, será ouvida, junto de servidoras do cerimonial que presenciaram o ataque. Testemunha é o que não falta para comprovar a fúria descontrolada do parlamentar.

O Ministério Público já havia opinado pela abertura do inquérito, reconhecendo a necessidade de investigar o crime de ameaça previsto no artigo 147 do Código Penal. O TJ, então, apenas confirmou que a conduta não pode ser varrida para debaixo do tapete, mesmo quando se trata de quem gosta de se portar como dono da cidade.

O detalhe curioso, e revelador, é que Lídio Lopes hoje está sem partido, desde que o Patriota se dissolveu para virar PRD. Nem o PP de Adriane quis abrir as portas para ele, com direito ao “não” de Tereza Cristina. O homem que se vangloria de controlar vereadores e influenciar deputados sequer conseguiu abrigo na legenda da esposa.

Nos bastidores, comenta-se que Lídio deve acabar no Avante, partido que já comanda nos bastidores, mas que pouco representa no cenário estadual. Sem rumo partidário e com a imagem cada vez mais arranhada, o deputado se tornou um fardo difícil de carregar até para aliados ocasionais.

A ironia é que, enquanto Adriane Lopes tenta salvar o mandato na Prefeitura com maquiagem administrativa, o marido se ocupa em colecionar processos, investigações e cenas de vergonha pública. O casal, juntos, transformaram a política da Capital em um espetáculo tragicômico.

O deputado, que se acostumou a confundir cargo com poder pessoal, agora terá que se explicar à polícia como qualquer cidadão comum. E, no fim, o que sobra o retrato melancólico de um parlamentar sem partido, sem rumo e, agora, sem imunidade moral.

Campo Grande, mais uma vez, paga caro por ter no comando da cidade e no entorno do poder um casal que confunde liderança com autoritarismo e democracia com capricho pessoal.

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