Transparência comprometida e tecnologia a serviço do Palácio

Na era da informação, Campo Grande caminha na contramão. Em vez de evoluir digitalmente e garantir transparência pública, a gestão da prefeita Adriane Lopes parece empenhada em apagar rastros, literalmente. Nos últimos dias, matérias jornalísticas publicadas no site oficial da Prefeitura simplesmente desapareceram como mágica, ou melhor, como má gestão.

A primeira delas, postada às 7h15 do dia 23, alertava sobre o aumento nos casos de hepatite e reforçava a necessidade de vacinação. A segunda, publicada às 18h07 do mesmo dia, relatava uma reunião institucional entre a prefeita e uma senadora. Ambas sumiram do portal da prefeitura como se nunca tivessem existido. No lugar do conteúdo: “a página foi removida” ou “não existe neste endereço”. Transparência virou ficção.

Enquanto a população enfrenta filas, desinformação e caos nos postos de saúde, o poder público está mais preocupado em controlar a narrativa digital do que em cuidar da saúde coletiva. Mas não para por aí. Uma fonte ligada ao Conselho Municipal de Saúde revelou que Agetec e Sesau tiveram uma “reunião de alinhamento” para tentar ressuscitar prontuários destruídos. Isso mesmo: documentos que deveriam estar preservados digitalmente… evaporaram. Milagre da incompetência?

E quem é o escolhido para “ressuscitar” esses dados mortos? Leandro Basmage, da Agetec, o mesmo que deveria zelar pela tecnologia e integridade dos sistemas públicos, mas que, segundo denúncias, atua com o único propósito de agradar seus padrinhos políticos: o todo-poderoso Lídio Lopes, a prefeita Adriane Lopes e sua amiga íntima, Rosana Leite. A digitalização, ao que tudo indica, serve apenas aos interesses do grupo, e não ao cidadão.

A chamada “falência” da TI pública de Campo Grande não é apenas um problema técnico, é um sintoma de uma gestão que prefere o apagamento à prestação de contas. Quando dados oficiais somem, quando matérias são deletadas e quando prontuários precisam ser “ressuscitados”, o que se instala não é um bug no sistema, mas um vírus político.

A narrativa oficial dirá que “tudo será apurado”. Mas enquanto isso, a cidade assiste a mais um capítulo da subserviência digital. A TI, que deveria ser uma ferramenta de democratização e controle social, virou um puxadinho da propaganda palaciana. Nada é publicado sem alinhamento político. E se algo escapa, apaga-se com um clique.

Em tempos em que dados são poder, Campo Grande opta pelo obscurantismo digital. A tecnologia municipal virou refém do “quem manda”. E se for para preservar os interesses do clã, que se dane o acesso à informação, o jornalismo institucional e os registros públicos.

Resta saber até quando a população aceitará ver seu direito à informação apagado por conveniência. Porque uma prefeitura que deleta matéria sobre vacinação é a mesma que esconde problemas, silencia denúncias e mascara a própria ineficiência.

No fim das contas, em Campo Grande, os sistemas públicos seguem travando, não por falha de rede, mas por excesso de submissão. A Agetec que poderia ser um centro de inovação virou um centro de submissão.

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