
A conta de luz ficou mais cara em Mato Grosso do Sul e não foi por falta de aviso. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou um reajuste médio de 12,11% nas tarifas da Energisa e, mais uma vez, o impacto recai diretamente sobre o consumidor, que já convive com um custo de vida cada vez mais sufocante. O aumento chega em abril como um choque no orçamento das famílias.
O discurso técnico tenta justificar o reajuste com base em cálculos regulatórios e contratos, mas a realidade que entra dentro de casa é bem mais simples. A conta vai subir muito acima da inflação e sem qualquer alívio significativo. O índice supera em mais de três vezes o IPCA acumulado dos últimos 12 meses, o que escancara um descompasso entre o que se paga e o que se consegue suportar.
A tentativa do Ministério de Minas e Energia de conter o aumento acabou reduzida a um gesto simbólico. A intervenção resultou em um corte de apenas R$ 21 milhões no cálculo tarifário, o que teve impacto quase irrelevante no percentual final. Na prática, o consumidor continua pagando praticamente o mesmo reajuste inicialmente previsto.
O aumento atinge todos os perfis. Para consumidores residenciais, o reajuste chega a quase 12%. Para indústria e comércio, ultrapassa essa marca. O resultado é um efeito cascata que não se limita à conta de luz, mas se espalha pelos preços de produtos e serviços, pressionando ainda mais a economia local.
O mais revoltante é observar esse aumento em um cenário de lucros robustos da concessionária. Nos últimos anos, a Energisa acumulou resultados expressivos, com centenas de milhões de reais em lucro anual. Em cinco anos, o montante ultrapassa a casa dos bilhões. Enquanto isso, o consumidor vê sua conta subir de forma contínua.
Em 2024, mesmo com redução tarifária, a empresa registrou um dos maiores lucros da sua história. Isso revela uma lógica difícil de explicar para quem paga a conta. Reduz quando pode, lucra alto e, no primeiro espaço, volta a aumentar com força. A conta nunca fecha para quem está do lado de fora do sistema.
A justificativa de equilíbrio econômico do contrato não convence quem enfrenta a realidade do dia a dia. Para muitas famílias, a energia elétrica já deixou de ser apenas um serviço essencial e passou a ser um peso fixo que compromete o orçamento mensal. O reajuste amplia esse cenário de aperto.
Outro ponto que chama atenção é a falta de alternativas para o consumidor. Trata-se de um serviço essencial, monopolizado e sem possibilidadede escolha. O cidadão não pode simplesmente trocar de fornecedor. Ele paga o que é imposto, independentemente da sua condição financeira.
O histórico recente mostra que esse não é um episódio isolado. Em 2022, o reajuste chegou a mais de 18%. Em 2023, quase 10%. Mesmo quando houve redução pontual, ela não foi suficiente para compensar o acúmulo de aumentos ao longo dos anos. O resultado é um encarecimento progressivo da energia.
O impacto desse tipo de decisão vai além da conta mensal. Pequenos comerciantes, indústrias e prestadores de serviço também absorvem o aumento e repassam para o consumidor final. A energia mais cara encarece tudo, do alimento ao serviço básico, criando um ciclo de pressão econômica difícil de conter.
No fim das contas, o que se vê é um sistema que funciona perfeitamente para quem está no topo da cadeia e cada vez mais pesado para quem está na base. O consumidor segue sem voz, sem alternativa e com a sensação de que paga cada vez mais por um serviço que não dá trégua. A conta chegou e, mais uma vez, veio alta demais.