Tapa-buraco só saiu do papel porque a Câmara bancou a conta

Os buracos que começaram, enfim, a ser tapados em Campo Grande não brotaram de boa vontade da prefeitura, nem de algum plano milagroso da atual gestão. O motor dessa operação veio da Câmara Municipal, que precisou antecipar a devolução do duodécimo para que a administração de Adriane Lopes conseguisse, ao menos, colocar as equipes na rua. Sim, a Casa de Leis pagou a conta para que a prefeitura fizesse o básico, aquela obrigação que deveria constar do dia a dia e não depender de gesto salvador do Legislativo.

Foram R$ 9 milhões enviados de volta aos cofres do Executivo para reforçar uma ação que já estava em estado crítico por causa das chuvas e, principalmente, pela falta de planejamento. A devolução, que ocorreria apenas no fim de dezembro, foi antecipada após articulação direta do secretário Marcelo Miglioli, que correu ao plenário pedir socorro. O presidente Papy atendeu, a Câmara abriu a carteira e aí, sim, as máquinas começaram a aparecer nos bairros.

Segundo a Casa de Leis, o recurso foi totalmente direcionado para reativar as empresas responsáveis pelo serviço, que estavam paradas diante do caos administrativo instaurado no Paço. Com dinheiro assegurado, a operação engrenou. Em quatro dias, mais de seis mil buracos foram tapados, resultado que reforça uma verdade incômoda. Quando há recursos e gestão, a cidade anda. Quando não há, ela afunda no asfalto que insiste em desaparecer.

As equipes agora trabalham das 6h até depois das 17h, aproveitando o tempo firme para recuperar o tempo perdido. E aqui cabe repetir o que já está nos bastidores. Se dependesse apenas da prefeitura, o serviço seguiria em ritmo de tartaruga, como estava até poucos dias atrás. Foi a Câmara que deu o empurrão necessário para a operação ganhar corpo. Foi a Câmara que garantiu o dinheiro. Foi a Câmara que fez acontecer.

Enquanto isso, a prefeita Adriane Lopes tenta capitalizar o esforço alheio, anunciando um programa de R$ 540 milhões para asfaltar 38% das vias não pavimentadas da Capital. Mas o campo-grandense sabe. Quando o governo municipal tropeça, quem está segurando a bengala, mais uma vez, é o Legislativo.

A verdade é que a Câmara exerce hoje o protagonismo que deveria ser natural da prefeitura. Foi ela que viabilizou o tapa-buraco emergencial. Foi ela que evitou que o caos se agravasse. Foi ela que decidiu agir enquanto o Paço seguia atolado em burocracia, desculpas e promessas recicladas.

Não fosse o gesto dos vereadores, Campo Grande continuaria colecionando crateras no asfalto e reclamações nas redes sociais. Graças à Câmara, ao menos por ora, a cidade respira um pouco melhor enquanto a prefeitura tenta, com muito atraso, correr atrás do prejuízo que ela mesma permitiu crescer.

A lição do episódio é simples. Quando há articulação e responsabilidade, o serviço aparece. Com a Câmara entregando os recursos, fica evidente quem realmente está trabalhando pela cidade.

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