
A tentativa de Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e Edivaldo Aquino Pereira de deixar a prisão sofreu mais uma derrota. O Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de liberdade dos três investigados na Operação Buraco sem Fim, que apura um esquema de fraudes em contratos milionários de tapa buracos em Campo Grande.
A decisão mantém atrás das grades personagens centrais de uma investigação que revelou suspeitas de manipulação de medições, pagamentos indevidos e desvio de dinheiro público em serviços que deveriam melhorar as ruas da Capital, mas que acabaram produzindo exatamente o contrário.
Segundo o Ministério Público, o grupo integrava uma organização que atuava fraudando sistematicamente a execução dos contratos de manutenção viária. O resultado foi sentido diariamente pela população, obrigada a conviver com ruas esburacadas, prejuízos em veículos e um serviço que consumia milhões sem apresentar resultados compatíveis.
O STJ foi claro ao afirmar que não existe situação excepcional capaz de justificar sua intervenção neste momento. Na prática, a Corte mandou aguardar a conclusão da análise do caso pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
A Operação Buraco sem Fim revelou indícios de um esquema que teria funcionado durante anos dentro da estrutura responsável pela manutenção das vias públicas. Enquanto os buracos se multiplicavam pelas ruas, contratos e aditivos continuavam movimentando cifras milionárias.
Os investigadores apontam que a Construtora Rial acumulou mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos entre 2018 e 2025. Mesmo diante desse volume impressionante de recursos públicos, a realidade encontrada pela população era de ruas deterioradas e serviços constantemente questionados.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. Somente na residência de Rudi Fiorese foram apreendidos R$ 186 mil em espécie. Em outro endereço, foram localizados mais R$ 233 mil.
A imagem não poderia ser mais simbólica. De um lado, uma cidade afundada em buracos. Do outro, milhares de reais guardados em espécie nas casas dos investigados. É exatamente esse contraste que alimenta a revolta de uma população cansada de ver o dinheiro público ser descaradamente surrupiado.
Os investigados continuam tendo direito à ampla defesa e ao contraditório. Porém, a manutenção das prisões demonstra que as suspeitas levantadas pelo Ministério Público foram consideradas suficientemente graves para justificar a continuidade das medidas cautelares.
Durante anos, a população teve de conviver com os buracos. Agora, os investigados terão de conviver com as consequências das acusações que pesam contra eles. Aqui se faz, aqui se paga. E para muitos campo-grandenses, a manutenção da prisão não representa o fim da história, mas apenas o primeiro capítulo da responsabilização daqueles que transformaram o tapa-buraco em um vergonhoso escândalo milionário.