Sobram ataques e faltam propostas

Os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul desperdiçaram uma oportunidade preciosa de mostrar que estão preparados para administrar o Estado. No primeiro debate da campanha, realizado pela Morena FM e pelo portal Primeira Página, sete concorrentes tiveram mais de uma hora para apresentar soluções capazes de melhorar a vida da população. Preferiram transformar o encontro em um ataque coletivo contra Eduardo Riedel, o único ausente.

Riedel havia informado antecipadamente que não participaria porque o debate foi realizado durante o horário de expediente e coincidiu com compromissos do Consórcio Brasil Central. A ausência poderia ter aberto espaço para um confronto qualificado entre diferentes projetos de governo. Em vez disso, os adversários se juntaram para atacar justamente quem não estava presente para responder.

O resultado foi um debate raso, dominado por acusações, frases prontas e respostas vazias. Mesmo diante de perguntas específicas sobre saúde mental, população idosa, comunidade LGBTQIAP+, feminicídio e segurança pública, quase todos fugiram dos temas ou demonstraram desconhecimento. Ficou evidente que criticar Riedel era muito mais fácil do que explicar como governariam Mato Grosso do Sul.

João Henrique Catan foi questionado sobre saúde mental, mas desviou para a Tabela SUS, a Operação Gutenberg e a criação de um prontuário digital. Delcídio do Amaral errou até a sigla da comunidade LGBTQIAP+ e não apresentou política concreta para esse público. Renato Gomes preferiu repetir acusações de corrupção quando deveria explicar o que faria pela população com mais de 60 anos.

Jeferson Bezerra admitiu, em essência, que pretende estudar os temas depois de eleito. Fábio Trad aproveitou diferentes momentos para reafirmar que é o candidato do presidente Lula, como se essa condição substituísse um programa estadual consistente. Ser aliado de um presidente pode render discurso eleitoral, mas não explica como reduzir filas na saúde, melhorar a educação, enfrentar o feminicídio ou ampliar a segurança.

Delcídio tentou transformar o chamado azambujismono grande inimigo da eleição. Outros candidatos repetiram acusações contra Reinaldo Azambuja e procuraram transferir todas elas para Riedel. A estratégia parece clara. Como não conseguem enfrentar o atual governador no campo dos resultados, tentam produzir uma associação política para desgastá-lo.

O problema para os adversários é que Mato Grosso do Sul está indo muito bem, obrigado. No segundo trimestre de 2026, o desemprego caiu para 2,7%, a quinta menor taxa do País. O Estado alcançou 81%de trabalhadores com carteira assinada no setor privado e registrou a terceira menor taxa de informalidade do Brasil. São números oficiais que nenhum ataque consegue apagar.

Mato Grosso do Sul também aparece em sétimo lugar no Índice de Progresso Social de 2026, acima da média brasileira. Mais de 40 mil pessoas deixaram a pobreza entre 2023 e 2024, e o Estado alcançou 1,46 milhão de trabalhadores ocupados em 2025, o maior número da série recente. Riedel não governa um paraíso e enfrenta grandes desafios, mas os indicadores mostram uma administração que produz resultados concretos.

O eleitor esperava ouvir como os candidatos pretendem superar esses resultados, corrigir eventuais falhas e conduzir o Estado a um novo patamar. Queria saber quais hospitais serão construídos, como a educação avançará, de onde virão os recursos e quais políticas protegerão mulheres, indígenas, idosos e trabalhadores. Recebeu, em troca, um festival de acusações contra um adversário ausente.

Quem deseja governar Mato Grosso do Sul precisa apresentar mais do que indignação ensaiada e ataques convenientes. A cadeira de governador exige conhecimento, planejamento e capacidade de decisão. No primeiro debate, os candidatos tiveram a chance de demonstrar que possuem essas qualidades e fracassaram. Enquanto se juntavam para atingir Riedel, acabaram revelando ao eleitor a própria fragilidade.

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