
A Secretaria Municipal de Saúde vive dias de pura revolta e descrença. Servidores, cansados de fingir normalidade, decidiram expor o que descrevem como um ambiente de irregularidades tão explícitas que já não cabem debaixo do tapete. No centro do furacão está o servidor Alcindo Batista da Rocha, personagem citado como protagonista de práticas que fariam corar qualquer gestor minimamente comprometido com o interesse público. Mas não parece ser o caso.
Segundo relatos que se multiplicam, materiais públicos destinados à saúde teriam ganhado destino bastante peculiar. Em vez de atender unidades e necessidades urgentes da população, parte desses recursos teria sido desviada para obras privadas, com direito a espaços reservados para festas e locações. Uma espécie de “empreendedorismo com verba da prefeitura”, um modelo inovador que nenhum curso de administração pública ousaria ensinar.
A indignação também cresce diante da história da multa da Polícia Rodoviária Federal. O infrator, dizem os servidores, não desembolsou um centavo para quitar o débito. O pagamento teria sido coberto por um posto de abastecimento, com ajuda fiel do aliado Emerson Barbosa da Silva. O episódio, tratado internamente como uma piada de mau gosto, ilustra o clima de privilégios e favorecimentos que, ao que tudo indica, reina soberano dentro da Sesau.
A quem tenta contrariar essa estrutura, sobra represália. Servidores relatam armações internas, assédio moral, sabotagens e isolamento. O comportamento atribuído ao servidor denunciado combina grosseria, soberba e um senso de impunidade digno de quem se acredita intocável. E, conforme os relatos, ele realmente parece se sentir assim.
O motivo da confiança teria nome e sobrenome. O pastor Sinério Otávio da Silva, figura influente no cenário religioso e político, seria um dos principais protetores do servidor acusado. A narrativa interna aponta que ele teria concedido autonomia total a Alcindo, transformando-o em uma espécie de “ungido administrativo”, blindado contra qualquer tentativa de responsabilização.
Para piorar, a Comissão de Saúde — órgão que deveria zelar pela lisura dos processos internos — aparece nas denúncias como mero carimbador oficial. Em vez de fiscalizar, questionar ou impedir abusos, estaria apenas assinando decisões sem qualquer análise. A raposa, além de cuidar do galinheiro, parece ter ganhado as chaves do portão.
O clima dentro da secretaria é de desgaste absoluto. Servidores afirmam que informações são retidas, ambientes de trabalho tornaram-se tóxicos e a sensação de injustiça tomou proporções insuportáveis. O medo divide espaço com a revolta, e o silêncio que antes predominava dá lugar a desabafos cada vez mais públicos.
Entre os relatos, um sentimento se destaca: chegou-se ao limite. O serviço público, já pressionado por falta de recursos e demanda crescente, agora precisa
lidar com o peso da má gestão, dos favorecimentos e da corrosão moral que atinge até setores essenciais como a saúde.
A frase que circula entre servidores resume a situação com precisão desconfortável. A indignação virou combustível. A Sesau se recusa a aceitar que uma estrutura inteira continue refém de interesses pessoais, abusos de autoridade e uma cultura de impunidade sustentada por alianças convenientes e silêncios cúmplices.