
Procurações revelam que a secretária Márcia Hokama e seu filho, Eddie Bernardo Hokama Razzini, além de José Agostinho de Figueiredo Razzini, usaram um servidor público da Sefaz, o senhor Ruan Luchina Candido, para cuidar de assuntos pessoais e familiares. Um caso de abuso de poder, onde o funcionário, claramente, não tinha escolha. Em uma administração marcada por denúncias de desmandos, surge agora um episódio que expõe não só a confusão entre o público e o privado, mas também um evidente abuso de poder.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que a secretária Márcia utilizou o funcionário público, Ruan Luchina Candido lotado na secretaria de fazenda, para cuidar de assuntos pessoais seus e de sua família. Por meio de procurações, Ruan recebeu poderes para administrar negócios privados, resolver questões bancárias, cuidar de imóveis e até representar a família em atos jurídicos.
Ruan não parece estar nesse papel por escolha própria. Tudo aponta para uma relação de subordinação, onde o servidor, diante do poder da chefe, foi empurrado para uma função que nada tem a ver com seu cargo público.
Os Documentos Não Mentem:
As procurações assinadas tanto por Márcia quanto por seu filho Eddie Bernardo Hokama Razzini e José Agostinho de Figueiredo Razzini, incubem a Ruan as responsabilidades de tratativas junto a fornecedora de energia. Esses documentos que demonstram, com clareza, que Ruan foi transformado de servidor da prefeitura em gestor dos negócios particulares da secretária e de sua família.
Toda vez que se puxa um fio desse tipo de abuso de poder, a tendência é que venha junto um novelo inteiro de irregularidades. Porque quem se sente confortável em usar um servidor público como faz-tudo pessoal, provavelmente se sente à vontade para fazer muito mais.
E surgem perguntas inevitáveis:
• Teria outros servidores também usados dessa forma?
• Quantas vezes a estrutura pública foi desviada para atender interesses pessoais da secretária e da sua família?
• Será que veículos públicos, motoristas e horas de trabalho foram utilizados para resolver questões privadas?
• Será que Ruan não é só a ponta visível de uma rede de favorecimentos, proteção e subordinação de outros funcionários?
Isso precisa ser investigado.
O caso da procuração não é só um fato isolado é um sinal claro de como se enxerga a coisa pública: como se fosse extensão da vida pessoal.
E quem age assim com um servidor, age assim com:
• O dinheiro público;
• As decisões administrativas;
• A gestão dos contratos;
• A condução da máquina pública.
Por isso, a denúncia sobre esse fato concreto não deve ser tratada como um episódio isolado, mas como um possível gatilho para investigações mais amplas, que podem revelar novas situações envolvendo a estrutura pública.
O mais grave deste episódio não é só a ilegalidade em si o uso da máquina pública para interesses privados, mas a situação do próprio servidor Ruan. Quem conhece os bastidores sabe que ele não teve muita escolha. Trata-se de um trabalhador que, inserido numa relação de extrema dependência hierárquica, simplesmente não tinha como dizer “não” à sua chefe.
Quando a ordem vem de quem detém o poder sobre sua lotação, suas funções e, muitas vezes, sua estabilidade no cargo, a recusa se torna praticamente impossível. Assim, Ruan não é o vilão da história, mas mais uma vítima da estrutura de abuso instalada na gestão.
*Confusão Entre Público e Privado:*
A situação escancara como parte da gestão pública perdeu qualquer senso de limite entre o que é institucional e o que é pessoal. O assessor da secretária, servidor pago com dinheiro público, virou responsável por resolver pendências particulares da família, um verdadeiro faz-tudo privado travestido de servidor.
O Que Diz a Lei:
Além da imoralidade evidente, a prática caracteriza possível improbidade administrativa, abuso de poder e desvio de função, com sanções previstas na Lei nº 8.429/92 (Lei de Improbidade Administrativa) e no Estatuto dos Servidores Públicos.
*Quem é Eddie Bernardo Hokama Razzini?*
Bernardo, filho da secretária Márcia, também concedeu poderes a Ruan, demonstrando que o servidor passou a atender não só ordens da chefe direta, mas também dos membros da família em evidente extensão privada do serviço público.
O Silêncio da Gestão:
A mesma pergunta surge a Prefeita Adriane Lopes sabia e não fez nada, ou somente foi enganada assim como a população. Será que não era tão evidente, tudo isso necessita de respstas.
A cidade que sofre com escolas sucateadas, falta de remédios, buracos nas ruas e serviços públicos precários, a denúncia deixa claro: há quem use a estrutura pública não para servir à população, mas para resolver a própria vida e, pior, forçar servidores a se prestarem a esse papel.
*Campo Grande paga, e ela usa*
Não estamos falando de desconhecimento, nem de erro. Estamos falando de arrogância, abuso e desrespeito. Ela poderia, como qualquer cidadão comum, ter feito uma procuração para o marido, para um filho, para qualquer parente. Mas não. Achou mais conveniente usar um servidor da Prefeitura pago com dinheiro público pra resolver seus assuntos pessoais.
E não para por aí. Além de não pedir aos próprios parentes, ela teve a cara de pau de fazer esse servidor também representar os próprios parentes dela. Isso mesmo. O servidor público, que deveria estar a serviço da população, virou despachante da família inteira.
A folga é tanta, o desprezo pelo dinheiro público é tão escancarado, que não seria surpresa nenhuma se esse servidor, além de resolver cartório, também fizesse compras, buscasse encomenda e pagasse as contas da casa dela.
Esse é o retrato de uma gestão que não tem nenhum limite. Uma gestão que trata a Prefeitura como se fosse propriedade particular, que debocha da lei, debocha do dinheiro público e, principalmente, debocha da cara do povo de Campo Grande.
Agora, cabe à sociedade, ao Ministério Público e à Câmara Municipal exigir providências. Afinal, quem deveria servir à cidade, serve, na verdade, a interesses particulares.