Sem pagamento, motoristas do Consórcio Guaicurus ameaçam entrar em greve

Após reunião entre o Consórcio Guaicurus e os motoristas de ônibus terminar sem previsão de pagamento dos salários atrasados, o STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande) ameaça entrar em greve.

O presidente do Sindicato, Demétrio Freitas, anunciou que, na quinta-feira (11), os trabalhadores devem se reunir para decidir se irão paralisar ou se irão continuar esperando o pagamento, enquanto ainda operam as frotas de transporte público.

“O consórcio manteve a posição que não tem dinheiro para efetuar o pagamento. Às 4h30, vai estar sendo feita a Assembleia na viação Campo Grande e na viação Cidade Morena. Nessa Assembleia, a gente vai estar discutindo não só o pagamento do dia 5, mas também do 13º e do vale do dia 20”, disse o presidente, em vídeo destinado à categoria.

A reunião para discutir o atraso no salário dos motoristas aconteceu nesta segunda-feira (8). Os funcionários da empresa estão sem receber o pagamento referente ao mês de novembro. Além disso, os trabalhadores temem que o vale, que é usualmente pago no dia 20 de cada mês, também não seja acertado. A data coincide com o prazo para o depósito do 13° salário, mais uma das preocupações dos motoristas.

O pagamento do salário dos 1.100 funcionários deveria ter caído na sexta-feira (5), 5º dia útil, mas não ocorreu. O Consórcio Guaicurus comunicou ainda ontem que não teria recursos financeiros para realizar o pagamento do 13º salário e da folha salarial dos colaboradores.

Confira o pronunciamento do Sindicato:

Motivo do atraso

A empresa, que já faturou mais de R$ 1,8 bilhão desde que assumiu o serviço, atribui a incapacidade de honrar os compromissos trabalhistas à inadimplência de repasses devidos pelo Poder Público. Não à toa, a empresa recorre constantemente à Justiça para forçar o repasse de mais verba pública aos cofres privados do grupo.

Além dos convênios com o Poder Público, o transporte coletivo ainda obtém receitas oriundas das tarifas dos usuários e de publicidade busdoor.

A empresa classifica a situação como crítica e solicita providências urgentes das autoridades competentes para a regularização dos débitos. Um pedido de intervenção no transporte público já foi apresentado à Prefeitura da Capital e mobiliza assinatura de populares para que seja designado um agente que possa avaliar a operação e, se possível, colocar o serviço em ordem após diversos indícios de ingerência, negligência e incompetência dos chefes do Consórcio.

O comunicado ainda destaca que a não regularização dos supostos débitos pode resultar na interrupção da prestação dos serviços, a exemplo do que ocorreu recentemente, quando motoristas teriam sido forçados a cruzar os braços por cerca de duas horas, no início da manhã do dia 22 de outubro, sob a justificativa de não pagamento do vale salarial.

Denúncias

São inúmeras e diárias as reclamações no serviço, como atrasoscondições precárias dos ônibus e superlotação. Denúncia recente mira o Consórcio por forçar greves dos motoristas.

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