Sem 13°, médicos da Santa Casa se reúnem com bancada federal em Campo Grande

Sem receber desde maio, médicos que atuam na Santa Casa de Campo Grande tentam uma solução ainda em 2025 para a crise salarial que se arrasta há meses. O atraso atinge principalmente profissionais contratados como PJ (pessoa jurídica) e têm impactado os atendimentos hospitalares.

Presidente do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana Silveira, os médicos PJ não recebem desde maio deste ano e, além disso, a primeira parcela do 13º salário, prevista para novembro, acumula atraso de 40 dias.

Reunião com bancada federal

Na tentativa de intermediar uma solução, o Sinmed-MS participa nesta segunda-feira (29) de uma reunião com a bancada federal de Mato Grosso do Sul, que contará com a presença do senador Nelson Trad e dos deputados Geraldo Rezende e Luiz Ovando. O encontro, solicitado pelos parlamentares, busca ouvir a categoria e buscar alternativas junto à administração hospitalar.

Às 19h, os médicos realizam assembleia fechada com o intuito de avaliar uma proposta intermediada pelo Ministério Público do Trabalho, já anexada ao processo judicial. Segundo o sindicato, a Santa Casa propôs quitar o 13º salário até o dia 10 de janeiro de 2026.

“Essa 1° parcela deveria ter entrado na nossa conta em 20 de novembro. A categoria está extremamente descontente com a atual gestão e diretoria. Então, vamos fazer essa assembleia para avaliar e decidir sobre essa proposta. Hoje, a categoria tem bastante receio e pouca confiança na diretoria”, explica.

Greve de funcionários impacta atendimentos

Além dos médicos, outros profissionais de serviços essenciais da unidade reivindicam melhorias nas condições de trabalho. Na última semana a crise financeira levou enfermeiros e servidores do setor administrativo a deflagrarem greve em protesto contra o atraso do 13º salário.

Os trabalhadores rejeitam a proposta da Santa Casa de parcelar o pagamento em três vezes, entre janeiro e março de 2026. No entanto, na terça-feira (23), os enfermeiros aceitaram a proposta da Santa Casa que encerrou a paralisação. Conforme a proposta do hospital, o pagamento de 50% do décimo terceiro ocorreu em 24 de dezembro e o restante, no dia 10 de janeiro de 2026.

Ação judicial

Em 4 de dezembro, o Sinmed-MS ingressou com ação judicial contra o hospital para garantir o pagamento da primeira parcela do 13º salário, cujo prazo legal se encerrou em 30 de novembro. Para o sindicato, a medida foi necessária diante do descumprimento reiterado dos direitos trabalhistas.

“A falta de pagamento de um direito fundamental como o 13º salário é um desrespeito à dignidade do médico. Nossa luta é por respeito e pontualidade”, enfatiza Marcelo.

Além disso, o CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) emitiu nota alertando para o risco iminente de desassistência na Santa Casa, diante da falta de insumos, medicamentos e profissionais. O documento foi encaminhado à Secretaria Municipal de Saúde, Vigilância Sanitária, Ministério Público e ao Jurídico do Estado.

Penhora de bens

No âmbito judicial, o MPT-MS (Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul) defende que a Justiça do Trabalho autorize a penhora de bens e valores da ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) e, de forma subsidiária, do patrimônio dos integrantes da diretoria, para garantir o pagamento do 13º salário dos médicos.

Segundo o MPT-MS, a Santa Casa é reincidente no descumprimento de obrigações trabalhistas e responde a pelo menos seis ações civis públicas relacionadas a salários, férias, 13º e FGTS. O órgão reforçou que os riscos da atividade econômica devem ser suportados pelo empregador, ou seja, não podem ser transferidos aos trabalhadores.

A proposta de parcelamento do 13º em três vezes, sem correção ou indenização, foi recusada pelo Sinmed-MS por ser considerada “irrazoável”. Após nova manifestação da Santa Casa, que propôs quitar o débito até 10 de janeiro de 2026. Assim, o sindicato pediu prazo para deliberação em assembleia.

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