
m 16 anos de mandato, Ricardo Ayache fez da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores Públicos Estaduais) um dos melhores e mais premiados planos de saúde congêneres do Brasil. Sua gestão vem acumulando marcos credenciados de referência.
Ayache credita este reconhecimento aos colaboradores, frisando: “Somos um plano sem fins lucrativos, construído pelos próprios servidores, focados na qualidade, na sustentabilidade e na humanização do atendimento”. Os servidores – frisa – cumprem as bases conceituais que norteiam a gestão e mantêm a dinâmica de crescimento
RICARDO AYACHE – A Cassems é o grande orgulho do servidor público. Nenhum de nós ousou imaginar que chegaríamos aos 25 anos como um dos maiores planos de saúde do país, referência em sistema de autogestão, mais de 200 mil vidas assistidas, rede própria consolidada com hospitais, centros médicos e serviços de alta complexidade. Ao longo desse período deixamos de ser apenas um financiador de serviços, somos também prestadores de saúde, investindo em estrutura própria que leva a assistência onde antes não existia. Esta construção foi possível porque somos um plano sem fins lucrativos, construído pelos próprios servidores, com foco em qualidade, sustentabilidade e humanização do atendimento. Esta combinação de escala, verticalização e propósito coletivo é, na minha visão, a principal marca da Cassems.
FCG – Qual a receita para gerir com superávit e seguir investindo em uma instituição que enfrenta intempéries de custeio com frequência?
RA – Não há fórmula simples em cenário tão complexo. Inclusive, é importante registrar que em 2025 a Cassems apresentou um resultado negativo. E não é um fenômeno isolado, mas reflexo de um contexto nacional em que os custos assistenciais cresceram muito acima da capacidade de financiamento dos planos de saúde, principalmente se avaliarmos os planos de autogestão. Fatores como o envelhecimento da população, a explosão dos custos com terapias especializadas (como para o TEA), a incorporação de novas tecnologias e medicamentos de alto custo têm pressionado cada vez mais as operadoras, o que resulta em uma crise sem precedentes do sistema de saúde em todo o Brasil.
FCG – E como se faz o enfrentamento deste quadro?
RA – A gestão tem atuado em três frentes: controle rigoroso de despesas, ampliação responsável de receitas e o fortalecimento da rede própria. A verticalização, por exemplo, não é apenas expansão; é uma estratégia para garantir qualidade com maior previsibilidade de custos. Além disso, adotamos medidas importantes, como o planejamento tributário, a revisão de despesas e a reestruturação financeira. Nosso compromisso é garantir a sustentabilidade da Cassems nos médio e longo prazos. Isso passa por entender que o equilíbrio na saúde hoje não é estático, é dinâmico, exige disciplina e, principalmente, uma leitura correta do cenário.
FCG – Investimentos em tecnologia científica são ambiciosos, alguns pioneiros, como a telemedicina. O que isso trouxe para o associado?
RA – Trouxe maior qualidade de atendimento e eficiência. A telemedicina é um grande exemplo, tornou-se uma aliada importante ao levar especialistas de grandes centros diretamente ao servidor que mora no interior. Significa que a pessoa não precisa mais encarar horas de estrada ou gastos com deslocamento para ter um atendimento de ponta; ela ganha tempo, consegue o diagnóstico com rapidez e tem chances muito melhores de recuperação. Na Cassems, o serviço de telemedicina, o Tele Saúde, é composto pelo Pronto Atendimento Digital e consultas com especialista. Só em 2025 atendeu mais de 12 mil pessoas. E uma tecnologia aplicada com um propósito humano nos permite reduzir os custos onde é possível.
FCG – Como funciona o serviço de cirurgia robótica?
RA – A Cassems é pioneira em robótica no Estado. Mudamos o patamar da saúde em Mato Grosso do Sul. Apenas em 2025 realizamos mais de 250 cirurgias com auxílio do robô no Hospital Cassems de Campo Grande. É um compromisso real com os servidores, pois eles ganharam a segurança de serem operados perto de sua família e de seus médicos de confiança com o que existe de mais moderno no mundo. Os ganhos para o paciente são enormes, com recuperação bem mais rápida e menores riscos de complicação. Quem precisava de um procedimento com esta complexidade muitas vezes tinha que buscar grandes centros, como São Paulo ou Rio de Janeiro, enfrentando todo o desgaste físico e emocional da viagem.
FCG – A Cassems já conta com 10 hospitais e dezenas de postos. Quais as próximas iniciativas previstas neste setor?
RA – Nossas equipes trabalham para elevar ainda mais a qualidade de tudo o que oferecemos. O objetivo é que cada estrutura opere com máxima eficiência e o beneficiário tenha o melhor atendimento ao entrar em nossas unidades de todo o Estado. Estamos fortalecendo e ampliando as linhas de cuidado, com atenção especial para áreas sensíveis, como a oncologia, o TEA (Transtorno do Espectro Autista) e doenças crônicas, que crescem com o envelhecimento da população. Estaremos expandindo a rede própria, mas sempre com um olhar atento ao cenário, adotando critérios técnicos rigorosos e responsabilidade financeira para garantir que a Cassems continue segura e sustentável hoje e no futuro.
FCG – Quanto ao custo-benefício, a Caixa considera suficiente a dedução de 6% do associado e 5,5% do patronal, ou estes
patamares precisam ser revistos?
RA – Não é suficiente. O modelo atual enfrenta uma pressão crescente. Os custos assistenciais aumentam em ritmo muito superior ao reajuste salarial dos servidores. Isto gera um desequilíbrio inevitável, o modelo precisa evoluir para continuar sustentável. Esse debate estrutural precisa ser feito de forma técnica, responsável, transparente, preservando o princípio central da Cassems, que é o acesso à saúde de qualidade para o servidor público.
FCG – As ferramentas de transparência da Caixa constam entre os elementos que a fizeram ganhar prêmios…
RA – Sem dúvida. A transparência é um dos pilares da gestão e da Cassems como construção coletiva. Um marco desta dedicação é que, pela primeira vez, fomos auditados pela KPMG, que faz parte do seleto grupo das Big Four, as maiores empresas de auditoria do mundo. Nossa prestação de contas foi aprovada integralmente, sem qualquer ressalva. Ter esse aval de uma instituição com tamanha credibilidade internacional confirma a seriedade do nosso trabalho. Além disso, contamos ainda com prestações de contas periódicas ao Conselho Fiscal e à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Os reconhecimentos que recebemos são consequência de uma governança estruturada, baseada em gestão técnica e responsável.
FCG – Com 16 anos na presidência, é sua intenção ser reeleito?
RA – A Cassems é maior do que qualquer gestão individual. Ao longo desses anos construímos um projeto sólido, com identidade, governança e capacidade de seguir evoluindo. Hoje, minha prioridade é garantir que esta estrutura siga fortalecida, preservando tudo o que foi construído e assegurando que a Cassems esteja pronta para os desafios que o futuro da saúde nos impõe. Mais do que discutir nomes, o importante é assegurar a solidez de um modelo que deu certo e precisa seguir se aperfeiçoando.
FCG – O senhor já foi candidato a senador e teve boa votação. Pensa em voltar a disputar mandato político?
RA – A política sempre fez parte da minha trajetória, mas hoje minha prioridade é a gestão da Cassems. Tenho um compromisso grande com esse projeto, que exige atenção e dedicação. O futuro político não está no centro das minhas decisões neste momento.