
Campo Grande vive um cenário de desgoverno em que a matemática não fecha e a lógica administrativa simplesmente não existe. O epicentro desse colapso é a Secretaria de Fazenda, sob o “comando” de Márcia Helena Hokama, que deveria ser o cérebro da Prefeitura mas se converteu em coração descompassado que bombeia erro, descrédito e desconfiança para todos os cantos da gestão.
O caso mais escandaloso é a devolução de R$ 33 milhões em multas de trânsito aplicadas sem contrato. O dinheiro que deveria financiar saúde, educação e serviços básicos agora voltará para os bolsos dos contribuintes, que além de suportarem buracos nas ruas e caos nos postos de saúde, descobrem que a Prefeitura sequer sabe firmar e encerrar contratos de forma legal.
A situação ganha contornos ainda mais graves com a suplementação orçamentária de R$ 156 milhões feita sem aval legislativo. Não é apenas descuido, é uma manobra que já atraiu a atenção do Ministério Público Estadual e Federal, do Tribunal de Contas e até do DENASUS. Se comprovadas irregularidades, o que hoje soa como improviso pode virar processo, sanção e responsabilização judicial.
O descumprimento de ordens judiciais é outro capítulo dessa novela de má gestão. Decisões que garantem direitos a mães atípicas, que já enfrentam uma rotina exaustiva, são solenemente ignoradas. O pagamento de precatórios virou mistério, vereadores cobram informações sobre a ordem cronológica e só encontram silêncio. A transparência se dissolveu no ar, deixando credores e cidadãos reféns de um Executivo que parece governar à margem da lei.
Em meio ao caos, a Prefeitura ainda publicou decreto de contingenciamento sem apresentar balancetes ou relatórios que demonstrem economia real. Para a sociedade, soa como mais uma peça teatral. Nenhum corte efetivo, nenhum planejamento estratégico, apenas o velho improviso que tenta estancar um rombo cada vez mais profundo.
A Secretaria de Fazenda, que deveria ser sinônimo de eficiência e rigor técnico, tornou-se símbolo de desorganização. A gestora da pasta, Márcia Helena Hokama, permanece inabalável, mesmo diante de denúncias e falhas gritantes, alimentando a imagem de um bunker intocável dentro da administração.
Enquanto a cúpula da Fazenda se blinda, os servidores municipais amargam a falta de reajuste, a Santa Casa espera por recursos que nunca chegam, fornecedores acumulam prejuízos e contribuintes pagam IPTU inflado sem saber ao certo para onde vai o dinheiro. A desordem fiscal já transbordou para a vida de quem mais precisa.
A crise não é apenas de caixa, é de credibilidade. Quando a Prefeitura não cumpre decisões judiciais, manipula números sem controle legislativo e esconde dados elementares, o que se instala é a corrosão institucional. A cidade perde confiança no poder público e ganha certeza de que está sendo governada por um improviso contínuo.
O mais perverso é que a crise se retroalimenta. O descrédito da Fazenda gera insegurança em todas as áreas, da saúde à infraestrutura. Fornecedores desconfiam, servidores desanimam, cidadãos se revoltam. No fim, sobra a sensação de que Campo Grande é administrada sem rumo e sem compromisso.
A Secretaria de Fazenda deveria ser bússola e motor. Virou labirinto e freio. Cada decisão equivocada amplia a desordem e cada descumprimento judicial expõe o desprezo pelo Estado de Direito.
O coração do caos pulsa forte no centro da Prefeitura e lança ondas de desorganização que atingem toda a cidade. A população aguarda a prestação de contas do quadrimestre como quem espera um raio de luz em meio à escuridão. Se vier com transparência, talvez seja possível enxergar onde a Prefeitura escondeu a verdade. Se vier com remendos, restará a certeza de que o colapso já não é risco, mas realidade consolidada.