Adriane vira as costas para Campo Grande

Adriane Lopes não compareceu ao Desfile da Independência em Campo Grande e deixou vazio justamente o lugar reservado a quem deveria representar institucionalmente a população. Enquanto milhares de pessoas enfrentaram o frio de 14 graus para prestigiar a cerimônia, a prefeita simplesmente não apareceu. O descaso não poderia ser mais simbólico.

A ausência ocorreu poucos dias depois do cancelamento do tradicional desfile de 26 de Agosto, data em que Campo Grande completou 127 anos. Na ocasião, a chuva justificou a suspensão da solenidade, mas a programação religiosa foi mantida e contou com a presença entusiasmada da prefeita. Para determinados eventos, portanto, houve disposição. Para a celebração cívica da Independência, faltou até consideração.

O desfile reuniu o governador Eduardo Riedel, o comandante da 9ª Região Militar, senadores, secretários e uma multidão no centro da Capital. Todos compreenderam a relevância da cerimônia, menos a autoridade responsável por governar a cidade que sediava o evento. Adriane conseguiu transformar uma ausência pessoal em demonstração pública de indiferença.

Como não precisa mais pedir votos para permanecer na prefeitura, Adriane parece ter perdido também o interesse em comparecer aos eventos do povo. A prefeita que percorreu bairros, apertou mãos e distribuiu promessas durante a campanha agora encontra dificuldades até para ocupar o palanque oficial.

Não se trata de exigir presença em toda solenidade ou de transformar agenda pública em espetáculo permanente. Trata se de reconhecer que determinadas ocasiões integram as responsabilidades simbólicas do cargo. O Desfile da Independência é uma delas, especialmente para a prefeita de uma Capital que acabara de ter sua própria celebração cívica cancelada.

A população compareceu mesmo sob frio intenso. Famílias levaram crianças, estudantes participaram, militares desfilaram e servidores trabalharam para garantir a realização do evento. Adriane, que recebe para representar Campo Grande, não demonstrou o mesmo compromisso. O contraste entre o esforço coletivo e a ausência da prefeita é constrangedor.

A cadeira vazia no palanque resume uma administração cada vez mais distante. Campo Grande enfrenta dificuldades na saúde, no transporte, na infraestrutura e nos serviços essenciais, enquanto sua prefeita parece escolher cuidadosamente quais agendas merecem sua presença. O povo, mais uma vez, ficou fora dessa seleção.

O episódio também revela uma inquietante mudança de postura depois das urnas. Durante a campanha, cada encontro popular era tratado como oportunidade indispensável. Agora, sem a urgência eleitoral, a proximidade desaparece. Quem antes precisava ser visto ao lado da população hoje parece confortável longe dela.

Adriane deveria explicar aos campo-grandenses por que não compareceu. O silêncio agrava o desprezo e alimenta a percepção de que a prefeita não se considera obrigada sequer a prestar contas de sua ausência. Cargo público não é propriedade particular e compromisso institucional não pode depender da conveniência da ocupante.

Campo Grande não merece uma prefeita presente apenas quando há palco conveniente, fotografia favorável ou benefício político. A ausência no 7 de Setembro, depois do cancelamento do desfile de aniversário da cidade, deixa uma mensagem amarga. Adriane não apenas faltou à cerimônia, mas virou as costas para a população que deveria representar.

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