
Por O Consumidor News
Campo Grande amanheceu com um aviso silencioso: a caneta da prefeita Adriane Lopes (PP) está afiada — e pronta para cortar onde dói de verdade. Nada de toner, luz ou copinho d’água, como no teatrinho da austeridade encenado mês passado. Agora o corte é na carne viva: entre 800 e 1.000 servidores públicos serão lançados ao desemprego até o dia 5 de agosto.
O motivo? A já desgastada desculpa do “rombo fiscal” e o altar da Lei de Responsabilidade Fiscal, onde se sacrifica gente em nome de planilhas.
Mas vamos ao que interessa: a mesma gestão que nunca ousou rever contratos milionários, nem abrir a caixa-preta das consultorias jurídicas com cheiro de apadrinhamento, agora tira o sustento de professores, trabalhadores da Funsat e servidores administrativos. Os primeiros a rodar, claro, são os que não têm padrinho político. Porque nos bastidores, a fila de vereadores pedindo “uma chance” para seus apadrinhados está mais viva do que nunca.
Na SEMED, os pedagogos convocados que seguravam o piano nas escolas já foram silenciados. Na Funsat, os trabalhadores do antigo Proinc terão seus contratos encerrados — não por falta de serviço, mas por excesso de descaso. Tudo sob o rótulo elegante de “reestruturação da folha”.
Agora pare e pense: se Campo Grande fosse uma nação, esse tipo de gestão já seria alvo de sanções. Aliás, só falta mesmo aplicarem por aqui uma versão tupiniquim da Lei Magnitsky — aquela que pune internacionalmente governantes que violam direitos humanos de forma sistemática. Porque é disso que se trata: uma violação em série à dignidade de quem depende do Estado.
Enquanto isso, a prefeita segue com o figurino de boa gestora, celebrando a adesão ao Programa de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), o plano federal que autoriza novos empréstimos em troca de… mais arrocho. A promessa: melhorar a famigerada “Capag”. A realidade: congelamento de salários, fim de progressões e um futuro parcelado em suaves prestações de sofrimento.
E para completar a equação, foi sancionada a Lei nº 7.441, que amarra de vez o crescimento dos gastos públicos à inflação. O que parece prudência fiscal, na prática, é a institucionalização do abandono. Enquanto o IPCA regula o contracheque do servidor, os contratos de publicidade institucional seguem fora do radar.
Adriane não corta contratos suspeitos. Não encurta as licitações com cheiro de mofo. Não mexe nos super salários da elite comissionada. Mas adora desligar a luz da sala dos professores e cortar a água do bebedouro. Porque, para essa gestão, austeridade só funciona de baixo pra cima.
Se você está se perguntando onde isso vai parar, a resposta é simples: vai parar no colo da população — sem emprego, sem reajuste, sem serviço público, sem dignidade.
Mas que ninguém diga que é falta de planejamento. Está tudo planejado, sim. Só não é para você.
O Consumidor está de olho.