Robson Martins e Marcia Hokama: o elo incômodo que a prefeita insiste em esconder

Em Campo Grande, o passado nunca fica enterrado por muito tempo. Prova disso é a ligação constrangedora entre a secretária de Fazenda da prefeita Adriane Lopes, Marcia Helena Hokama, e seu irmão, o ex-vereador cassado Robson Martins, personagem de um dos escândalos mais sórdidos da política local. Condenado por extorsão e exploração sexual de adolescente, Robson continua servindo como sombra incômoda dentro do Paço Municipal.

Fontes do Jornal O Consumidor News revelam que quando Adriane Lopes assumiu a prefeitura, foi Robson quem garantiu que a irmã Marcia não perdesse a cadeira. O acordo teria sido costurado nos bastidores com a bênção da igreja do deputado Lídio Lopes, marido da prefeita. Em outras palavras, a permanência da secretária não foi fruto de competência técnica, mas de promessa política feita longe dos olhos da sociedade.

O enredo é digno de novela barata. Marquinhos Trad deixou a prefeitura e Marcia já estava na lista para ser substituída. No entanto, o irmão mexeu suas peças e manteve a irmã no cargo, mostrando que, em Campo Grande, até ficha criminal pesada serve como moeda de articulação. A moralidade fica em segundo plano quando o que está em jogo é influência dentro da máquina pública.

É no mínimo irônico que a responsável pela Fazenda Municipal tenha como principal padrinho político um homem condenado por crimes contra crianças. O discurso da prefeita sobre gestão limpa e eficiente se esfarela quando se descobre que a continuidade de sua equipe passa pela interferência de um irmão envolvido em escândalos sexuais e de corrupção, com repercussão nacional.

O caso de Robson não é segredo. Desde 2003, quando ainda era vereador, já aparecia em denúncias de exploração sexual infantil. Mais tarde, foi preso em flagrante por extorsão contra o então colega de Câmara Alceu Bueno, morto assassinado. Em 2021, voltou para as páginas policiais ao ser capturado em operação conjunta do MPMS, Polícia Civil e Polícia Militar. O currículo dispensa comentários, mas parece render dividendos políticos para a família.

Enquanto Adriane Lopes posa de gestora cristã e preocupada com valores, o fato é que mantém no coração da administração municipal a irmã de um condenado que já deveria ser persona non grata em qualquer espaço público. O silêncio da prefeita diante desse elo incômodo é revelador. Mais fácil fingir que não há ligação do que admitir que sua gestão se apoia em arranjos familiares e religiosos que desafiam o mínimo de ética.

Marcia Hokama, por sua vez, segue discreta, administrando milhões sem que a população tenha sequer clareza sobre sua independência política. Afinal, quem de fato garantiu sua cadeira foi o irmão, não o mérito. E isso faz toda a diferença quando falamos de uma secretaria estratégica como a Fazenda.

É impossível não questionar o peso dessa relação para a credibilidade da administração de Adriane Lopes. Como exigir respeito à lei quando se permite que uma secretaria vital seja sustentada pela articulação de um condenado por

crimes contra menores. A contradição é tamanha que chega a ser ofensiva para qualquer cidadão que ainda acredita em moralidade na política.

A verdade é que Campo Grande convive com o velho padrão de bastidores onde igreja, família e promessas secretas têm mais força do que competência técnica. O episódio mostra como a máquina municipal continua servindo como moeda de troca entre grupos de poder, sem qualquer pudor em ignorar o histórico sombrio de quem influencia as escolhas.

A prefeita, por sua vez, segue sorridente em inaugurações e entrevistas, vendendo uma imagem de seriedade administrativa. Mas a cada revelação sobre os bastidores de sua gestão, fica claro que o verniz não esconde as rachaduras.

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