
Campo Grande conquistou um feito histórico nada honroso. Sob a gestão de Adriane Lopes, a Capital sul-mato-grossense passou a ocupar oficialmente a última colocação no ranking nacional de prefeitos das capitais brasileiras. O dado não é fruto de retórica política nem de oposição barulhenta, mas de uma pesquisa do instituto AtlasIntel que escancarou aquilo que a população já sente no dia a dia.
Com 79% de desaprovação, Adriane Lopes aparece como a prefeita mais rejeitada entre todas as capitais do país. Apenas 14% dos entrevistados afirmaram aprovar sua administração, enquanto 7% preferiram não opinar. O número é devastador e não deixa margem para relativizações criativas ou discursos de autoelogio típicos de gestões desconectadas da realidade.
Na avaliação de governo, o cenário é igualmente desolador. A prefeita ocupa novamente a 26ª e última posição, com 66% das respostas classificando a gestão como ruim ou péssima. Apenas 6% consideraram a administração ótima ou boa, um índice tão baixo que transforma qualquer tentativa de defesa em exercício de imaginação política.
O dado mais simbólico talvez seja o isolamento de Campo Grande na lanterna do ranking. Não se trata de uma posição compartilhada ou de uma diferença estatística mínima. A Capital ficou atrás de todas as outras, inclusive de cidades que enfrentam desafios históricos profundos, mas que ainda assim conseguiram apresentar algum grau de eficiência administrativa.
Enquanto capitais como São Luís, Macapá e Porto Velho lideram os índices de aprovação, Campo Grande segue o caminho oposto, colecionando crises, promessas não cumpridas e uma sequência de decisões administrativas que parecem sempre caminhar no sentido errado. O contraste expõe não apenas falhas pontuais, mas um modelo de gestão esgotado.
A pesquisa da AtlasIntel ouviu mais de 82 mil pessoas em todo o Brasil, sendo 1.491 moradores de Campo Grande, entre os dias 6 de outubro e 5 de dezembro, por meio de entrevistas online. O método utilizado, de Recrutamento Digital Aleatório, reforça a amplitude do levantamento e afasta qualquer tentativa de desqualificar o resultado como algo isolado ou enviesado.
O resultado não surge do nada. Ele reflete o cotidiano de uma cidade marcada por problemas na saúde, na infraestrutura, na mobilidade urbana e na gestão fiscal, além de sucessivas polêmicas envolvendo contratos, aditivos e falta de transparência. A desaprovação, nesse contexto, deixa de ser surpresa e passa a ser consequência.
Mais do que um retrato estatístico, o ranking funciona como um certificado público de insatisfação coletiva. Adriane Lopes não apenas entrou para a história de Campo Grande, mas alcançou um patamar nacional de rejeição que poucas gestões conseguiram atingir em tão pouco tempo.
O mais irônico é que, mesmo diante de números tão expressivos, a administração insiste em discursos otimistas, como se governasse uma cidade paralela, distante daquela vivida pela maioria da população. A desconexão entre governo e governados parece ser hoje uma das marcas mais evidentes da atual gestão.
Ao final, a pesquisa da AtlasIntel não entrega apenas um ranking. Ela entrega um recado direto e incômodo. Campo Grande escolheu um caminho, e os números mostram onde ele chegou. Resta saber se a gestão será capaz de reconhecer o tamanho do fracasso ou se seguirá tratando o pior desempenho do Brasil como apenas mais um detalhe administrativo.