R$ 113 milhões somem no tapa-buracos e a culpa é de quem: Marquinhos ou Adriane?

Enquanto Campo Grande afunda em crateras que destroem carros, provocam acidentes, mortes e transformam a mobilidade urbana em um verdadeiro pesadelo diário, a Operação Buraco Sem Fim revelou que mais de R$ 113 milhões destinados ao tapa-buracos podem ter abastecido um esquema de fraudes envolvendo servidores públicos e a empreiteira Selco Engenharia durante as gestões do ex-prefeito Marquinhos Trad e da atual prefeita Adriane Lopes. No centro do escândalo aparece Rudi Fiorese, ex-homem forte da infraestrutura da Capital e posteriormente presidente da Agesul, preso após agentes encontrarem R$ 186 mil em dinheiro vivo em sua residência. Já com o servidor municipal Edivaldo Aquino Pereira foram apreendidos R$ 233 mil em espécie, valor equivalente a mais de três anos e meio de salários. Diante da explosão do escândalo, cresce a pergunta que ecoa pelas ruas esburacadas da cidade. Afinal, quem responde politicamente por uma roubalheira que atravessou duas administrações municipais sem ser interrompida antes de virar caso de polícia e investigação do Ministério Público?

O centro do escândalo envolve contratos que somam mais de R$ 113 milhões destinados à manutenção de vias pavimentadas da Capital entre os anos de 2018 e 2025. Dinheiro suficiente para mudar completamente a realidade viária da cidade, mas que, segundo o Ministério Público, pode ter sido drenado por meio de medições fraudulentas, pagamentos indevidos e serviços incompatíveis com os valores desembolsados.

No epicentro da investigação aparece Rudi Fiorese, figura conhecida dos bastidores das grandes obras públicas da Capital e nome que atravessou diferentes administrações ocupando cargos estratégicos ligados à infraestrutura. Preso na operação, Fiorese tinha R$ 186 mil em dinheiro vivo dentro de casa quando os mandados foram cumpridos.

Outro valor que chamou atenção dos investigadores foi encontrado na residência de Edivaldo Aquino Pereira. Com salário bruto pouco superior a R$ 5 mil mensais, o servidor guardava R$ 233 mil em espécie, montante equivalente a mais de três anos e meio de remuneração integral.

Também foi preso Mehdi Talayeh, apontado como envolvido diretamente no núcleo operacional investigado pelo Ministério Público. Segundo as apurações, o grupo atuaria manipulando informações técnicas relacionadas aos serviços de manutenção viária executados na cidade.

A empresa Selco Engenharia aparece no centro dos contratos investigados. Ao longo de sete anos, a empreiteira recebeu mais de R$ 113 milhões da prefeitura em serviços ligados à manutenção de ruas e avenidas da Capital.

O aspecto mais revoltante do escândalo é justamente o contraste entre os valores milionários movimentados e a realidade enfrentada pela população. Campo Grande transformou a buraqueira em marca registrada. Pneus destruídos, acidentes, prejuízos financeiros e até mortes passaram a fazer parte da rotina de quem circula pela cidade.

O próprio Ministério Público afirma que as evidências apontam pagamentos públicos incompatíveis com os serviços efetivamente prestados. Em outras palavras, enquanto a população desviava de buracos cada vez maiores, alguém aparentemente desviava dinheiro que deveria estar sendo usado justamente para tapá-los.

Mas talvez a pergunta mais incômoda revelada pela operação seja outra. Afinal, de quem é a responsabilidade política por um esquema que atravessou duas administrações municipais sem ser interrompido antes de virar caso policial? Os contratos investigados começaram durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad e permaneceram ativos também sob a administração da prefeita Adriane Lopes.

As exonerações de Rudi Fiorese do comando da Agesul e dos servidores Edivaldo e Mehdi da Prefeitura aconteceram apenas depois que o GECOC, o Gaeco e o Ministério Público desmontaram o esquema. Se não houvesse a operação, os mandados de prisão, as buscas e apreensões e a exposição pública da suposta engrenagem criminosa, alguma providência teria sido tomada ou o esquema continuaria funcionando normalmente, com milhões escorrendo pelo ralo da corrupção?

Em meio ao escândalo, também chamou atenção a tentativa do ex-prefeito Marquinhos Trad de defender publicamente Rudi Fiorese, afirmando que ele seria “um homem sério”. A declaração, porém, colide frontalmente com a gravidade dos fatos revelados pela investigação. Afinal, se tudo for confirmado, como sustentar a imagem de seriedade diante da apreensão de R$ 186 mil em dinheiro vivo dentro de casa, em meio a uma operação que apura desvios milionários justamente no setor responsável pelo tapa-buracos da cidade?

Agora, diante da operação que abalou a estrutura política e administrativa da Capital, Campo Grande tenta entender como uma cidade que arrecadou contratos milionários para manutenção viária conseguiu afundar justamente na pior crise de buracos de sua história recente. E enquanto moradores seguem desviando de crateras pelas ruas, cresce também a sensação de que parte do dinheiro que deveria recuperar o asfalto pode ter acabado pavimentando apenas o caminho do enriquecimento ilícito de quem transformou o tapa-buracos em negócio milionário.

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