
Desde que assumiu o comando da Prefeitura, a gestão de Adriane Lopes passou a ser marcada por uma concentração incomum de nomes ligados ao mesmo grupo religioso no alto escalão. A estrutura administrativa, que deveria ser guiada por critérios técnicos, vem sendo ocupada de forma reiterada por aliados com vínculos diretos com a igreja frequentada pela prefeita.
A estrutura da Prefeitura passou a ser ocupada por indicações ligadas a um mesmo grupo religioso, como se a condição de pastor fosse, por si só, garantia de capacidade técnica e bons resultados. A realidade mostrou o oposto. Esse modelo não trouxe eficiência e ainda expôs a gestão a uma sequência de crises, inclusive com denúncias graves envolvendo integrantes nomeados para cargos de confiança, o que escancarou a fragilidade dos critérios adotados.
Na mais recente movimentação, o pastor Paulo da Silva foi deslocado da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para assumir aAgência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), enquanto o também pastor Ciro Vieira Ferreira passou a comandar a Agetran. A troca, longe de representar avanço administrativo, reforça a percepção de que a gestão opera como um circuito fechado de indicações.
A presença desses nomes não é isolada. A atual administração já conta com diversos pastores em cargos estratégicos, entre eles Enoque Camposano, Emerson Irala de Souza, Jadir Cabral, Fausto Azevedo Tlaes e Emerson Marques do Amaral, ampliando a influência de um mesmo grupo dentro da máquina pública.
O problema não está na fé, mas na forma como ela tem sido utilizada como critério de ocupação de cargos. A administração pública exige preparo técnico, experiência e resultados, não vínculos pessoais ou religiosos.
Esse modelo de gestão ganha contornos ainda mais graves diante do histórico recente. A prefeitura foi atingida em cheio por denúncias envolvendo integrantes do alto escalão, incluindo o caso do então secretário Paulo Cesar Lands Filho, acusado por um servidor de abuso, fato que levou ao seu afastamento.
Outro episódio que abalou a administração envolve o pastor Douglas Alves Mandu, ligado à mesma igreja da prefeita, que foi acusado por uma jovem de estupro ocorrido quando ela ainda era adolescente. Após a repercussão, ele foi afastado de suas funções.
O caso gerou ainda mais indignação quando outras mulheres relataram situações semelhantes, ampliando a gravidade das denúncias e colocando em xeque os critérios de escolha e manutenção de nomes na gestão Adriane.
Mais um episódio envolvendo o alto escalão veio com denúncias contra Sandro Benites, então dirigente da Fundação Municipal de Esportes, acusado de violência psicológica. A situação resultou em medida protetiva e aprofundou o desgaste da administração.
Diante dessa sequência de fatos, cresce a percepção de que a prefeitura deixou de ser conduzida com base em critérios institucionais para operar sob influência direta de um grupo restrito, formado majoritariamente por pastores. A repetição de nomes, vínculos e problemas não pode ser tratada como coincidência.
Enquanto isso, áreas essenciais seguem emdificuldades, Campo Grande enfrenta o caos e a população continua sem respostas, tanto para os problemas, dos básicos aos complexos. A prioridade da prefeita Adriane Lopes parece estar bem distante daquilo que realmente importa para a cidade.
O que está em jogo já não é apenas uma escolha administrativa, mas o rumo de toda a cidade. Quando cargos públicos passam a ser ocupados por critérios que não priorizam competência, técnica e resultado, o prejuízo deixa de ser político e passa a ser direto na vida da população. Campo Grande não pode ser tratada como espaço de experimentação religiosa e nem como território de influência restrita. A cidade precisa de gestão, de responsabilidade e de coragem para romper com práticas que só aprofundam o desgaste e o caos.