Prefeitura tenta minimizar rombo da saúde e chama dívida de R$ 20 milhões de “mal-entendido”

Depois de o Ministério Público apontar um rombo de quase R$ 200 milhões em dívidas com fornecedores, a gestão Adriane Lopes apareceu indignada para explicar que o calote não é tudo isso e que seria “apenas” R$ 20 milhões. Como se dever dezenas de milhões para fornecedores de medicamentos fosse detalhe técnico irrelevante diante do caos vivido pela população.

A tentativa de transformar um escândalo financeiro em mera discussão contábil prova o tamanho do desespero da administração municipal. A Sesaupraticamente pediu compreensão pública porque parte das dívidas ainda estaria em fase de liquidação, empenho ou processamento burocrático. Enquanto isso, nos postos de saúde, o paciente continua sem remédio, sem exame e sem qualquer paciência para ouvir explicações fiscais criativas.

A prefeitura tenta vender a ideia de que a situação foi mal interpretada pelo Ministério Público, mas o próprio MPMS deixou claro que o problema vai muito além dos números frios da contabilidade pública. O órgão investiga justamente se o atraso nos pagamentos virou a principal causa do desabastecimento da rede municipal de saúde.

E o mais constrangedor é que a nova justificativa implode outra desculpa usada pela própria gestão. Depois de culpar servidores por suposto boicote no fornecimento de medicamentos, agora a prefeitura admite que existe um passivo milionário travando a relação com fornecedores. Ou seja, o problema nunca foi sabotagem. O problema sempre foi gestão.

O secretário Ulisses Rocha chegou a acusar publicamente servidores da saúde de dificultarem a entrega de medicamentos à população. Mas bastou a investigação do Ministério Público avançar para surgir uma nova versão dos fatos, agora baseada em restos a pagar, liquidações pendentes e interpretações técnicas sobre dívidas milionárias.

Enquanto isso, quem depende do SUS municipal continua enfrentando a realidade brutal dos postos precários e das farmácias desabastecidas. Para quem chega doente em uma unidade de saúde, pouco importa se a dívida é processada, não processada, empenhada ou contabilmente parcelada. O que importa é que falta medicamento.

A situação revela uma gestão cada vez mais perdida dentro das próprias desculpas. Cada nova crise produz uma nova história. Uma hora a culpa é dos servidores. Depois é dos fornecedores. Em seguida aparecem termos técnicos para tentar suavizar números assustadores que surgem nas investigações dos órgãos de controle.

O mais irônico é que a prefeitura parece acreditar que a população ficará aliviada ao descobrir que o rombo não seria de R$ 197 milhões, mas de “somente” R$ 20 milhões. Como se a simples troca de etiqueta no tamanho do desastre resolvesse o sofrimento diário enfrentado por milhares de pessoas nas unidades de saúde da Capital.

A tentativa de minimizar o problema apenas aumenta a sensação de descontrole administrativo dentro da Sesau. Afinal, se tudo estivesse tão organizado quanto a nota oficial tenta demonstrar, o Ministério Público não estaria ampliando investigações sobre falta de pagamento, desabastecimento e risco à continuidade dos serviços públicos essenciais.

O mais triste é que sempre sobra para a população conviver com uma saúde pública mergulhada em desculpas, versões contraditórias, esquemas e crises. Enquanto a prefeitura brinca de contabilidade criativa para tentar reduzir o tamanho do escândalo, quem precisa de remédio continua esperando nas filas o milagre que a gestão Adriane Lopes nunca consegue entregar.

Compartilhe
Notícias Relacionadas
© 2024 O Consumidor News
Desenvolvido por André Garcia - www.conffi.com.br