
Em mais um capítulo da grave crise financeira da Capital, a prefeita Adriane Lopes (PP) atrasou o pagamento de R$ 56 milhões à Solurb. Sem receber há quatro meses, a concessionária admite que pode suspender a coleta do lixo. A primeira e única suspensão na coleta do lixo na história da Capital ocorreu há 10 anos, em setembro e outubro de 2015, na gestão de Alcides Bernal (PP).
O risco de greve na coleta do lixo foi alertado nesta terça-feira (11) pelo deputado estadual Pedro Pedrossian Neto (PSD), que se transformou em ponto de lamentações dos prejudicados pela gestão da atual prefeita.
Outras duas parcelas, que somam R$ 32 milhões, não foram pagas em agosto. Sem condições de manter o pagamento dos salários dos garis, a concessionária poderá interromper a coleta e deixar as ruas iluminadas com a decoração de Natal tomadas pelo lixo. O cidadão corre o risco de sentir na pele o clima natalino de Adriane Lopes, iluminado, mas com mau cheiro e mosquitos.
“A Prefeitura de Campo Grande chega num cenário extremamente perigoso para todos os serviços básicos. Isso não é brincadeira, o assunto é sério, e eu estou preocupado de verdade”, alertou Pedrossian Neto.
Além da coleta de lixo, o parlamentar destacou o agravamento na prestação de outros serviços essenciais, como capina, roçada, tapa-buracos, transporte coletivo e o atendimento na Santa Casa.
Ex-secretário de Finanças da Capital, Pedrossian Neto não titubeia em apontar a causa da crise, “falta de planejamento e de responsabilidade financeira da administração municipal”. Nas redes sociais, ele até usa da botina de Adriane, que virou símbolo da campanha vitoriosa pela reeleição, para alertar a população sobre o risco de suspensão na coleta do lixo.
A coleta de lixo é considerada serviço essencial e de saúde pública. A única vez em que houve paralisação ocorreu logo após o retorno de Alcides Bernal ao cargo. Ele assumiu no dia 25 de agosto de 2015 e, no início do mês seguinte, enfrentou a inédita greve na coleta do lixo. Os garis cruzaram os braços por 11 dias em setembro e mais dois em outubro daquele ano.
Adriane já enfrentou três greves no transporte coletivo e paralisação dos médicos da Santa Casa.