
O deputado estadual Pedro Pedrossian Neto desmentiu a prefeita Adriane Lopes ao expor que Campo Grande está longe de pagar o maior salário do País aos professores. Enquanto a prefeita propagandeia uma realidade que não existe, levantamento da Fetems mostra que a Capital ocupa apenas a 10ª posição no ranking salarial de Mato Grosso do Sul, evidenciando mais uma vez a distância entre o discurso e os fatos.
Enquanto o Governo do Estado paga R$ 8.671,41 a um professor efetivo com jornada de 40 horas, a Prefeitura de Campo Grande paga R$ 5.900,94. A diferença ultrapassa 46%. Diante desse cenário, a afirmação de que a Capital paga o maior salário do País não encontra qualquer sustentação nos números.
Pedro Pedrossian Neto teve o mérito de verbalizar aquilo que muitos servidores já comentam há meses. A sensação de que a prefeita parece governar uma cidade paralela, distante das dificuldades enfrentadas pelos profissionais da educação. O parlamentar apenas trouxe luz a uma contradição evidente entre a propaganda e os fatos.
A insatisfação dos professores não surgiu por acaso. Ela é consequência do descumprimento de compromissos assumidos pela própria prefeitura. O reajuste de 5,4% prometido à categoria virou motivo de conflito porque parte dele foi empurrada para o ano seguinte e, agora, a gestão tenta reabrir uma negociação que já deveria estar encerrada.
A crítica feita pelo deputado encontra respaldo justamente nesse comportamento. Quando um acordo é firmado, ele deve ser cumprido. Caso contrário, instala-se um ambiente de insegurança e desconfiança. O servidor deixa de acreditar na palavra da administração e passa a enxergar cada promessa como mera peça de marketing político.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa a política salarial adotada pela própria prefeita para os cargos do alto escalão. Não houve falta de recursos para conceder aumento de 50% ao salário da chefe do Executivo. Também não houve crise financeira quando os salários dos secretários municipais mais do que dobraram. A austeridade apareceu apenas quando chegou a vez dos professores reivindicarem aquilo que lhes havia sido prometido.
As críticas feitas pelos vereadores de oposição apenas reforçam uma percepção crescente entre os servidores. Há dinheiro para privilegiar quem ocupa posições de poder, mas surgem dificuldades quando o assunto é valorização dos profissionais responsáveis pela educação pública. Essa disparidade alimenta a indignação e amplia o desgaste político da administração.
Ao desmentir uma afirmação que não resiste ao confronto com os fatos, Pedro Pedrossian Neto fez o que se espera de um parlamentar comprometido com o interesse público. A propaganda muitas vezes tenta substituir a realidade, mas os números cumprem o papel de devolver o debate ao campo da verdade. E eles são devastadores para a narrativa da prefeita. Campo Grande não paga o maior salário do País aos professores. Não paga o maior salário do Estado. E sequer figura entre os municípios que lideram a valorização da categoria. Diante de dados tão claros, resta uma pergunta inevitável: se a realidade é tão favorável quanto Adriane Lopes diz, por que os professores continuam precisando parar as atividades para serem ouvidos?