Prefeita foca na prisão de Bolsonaro e ignora o colapso local

Enquanto Campo Grande agoniza em problemas básicos e cada vez mais visíveis, Adriane Lopes resolveu concentrar suas energias na prisão de Jair Bolsonaro, como se a cidade dependesse disso para funcionar. No fim de semana, a prefeita encontrou tempo e disposição para lamentar o destino do ex-presidente, mas segue incapaz de olhar para o próprio quintal, onde faltam remédios, sobram filas, buracos nas ruas e o 13º dos servidores virou suspense.

A postagem emocionada de Adriane sobre Bolsonaro contrasta com a frieza com que ela trata o caos local. A cidade enfrenta uma crise financeira sem precedentes, a Saúde vive um colapso anunciado e os bairros acumulam problemas estruturais que não cabem nem em carrossel de Instagram, mas nada disso parece comover a prefeita tanto quanto a política nacional.

A cada dia, Campo Grande se afunda um pouco mais no improviso administrativo. A população não consegue atendimento, servidores não têm garantias mínimas e os buracos se multiplicam com a mesma velocidade das desculpas oficiais. Mas Adriane prefere olhar para Brasília, talvez porque encarar a realidade daqui daria bem mais trabalho.

O 13º salário, que deveria ser prioridade absoluta, tornou-se um enigma digno de investigação criminal. Ninguém sabe, ninguém confirma e ninguém tem coragem de assumir que a situação é mais grave do que os posts motivacionais da prefeita conseguem esconder. O silêncio é a única política salarial concreta da atual gestão.

A saúde é outro retrato do abandono. UPAs superlotadas, falta de medicamentos, longas esperas e uma gestão que fingiu, por meses, que tudo estava sob controle. Campo Grande virou laboratório da negligência, mas Adriane continua ocupada com o noticiário nacional, como se comentar prisão de ex-presidente resolvesse a dor de quem espera horas por atendimento.

Nas ruas, o sentimento é de abandono total. A prefeita, que raramente aparece em locais onde não existe assessoria filtrando aplausos, age como se a cidade estivesse funcionando perfeitamente. A realidade, no entanto, é um cenário de caos crescente, agravado pela falta de comando e de prioridades mínimas.

É irônico — para não dizer trágico — que a prefeita se ocupe tanto de defender Bolsonaro enquanto sua própria administração coleciona denúncias, escândalos e decisões desastrosas. Falta gestão, sobra discurso. Falta resultado, sobra vitimismo. Falta ação, sobra postagem.

O distanciamento da prefeita da vida real dos campo-grandenses é cada vez mais evidente. Em vez de enfrentar os problemas da cidade, Adriane prefere comentar acontecimentos de impacto nacional, como se isso a tornasse relevante. Mas relevância se constrói com trabalho, não com declarações melancólicas em redes sociais.

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