Prefeita Adriane ignora bem-estar dos usuários e veta ar-condicionado nos ônibus

Os moradores de Campo Grande que dependem do transporte público podem continuar levando suas toalhinhas, abanadores e muita paciência. A prefeita Adriane Lopes (PP), mais uma vez, escolheu agradar os concessionários em vez de proteger a dignidade dos usuários e vetou integralmente o projeto de lei que obrigava a instalação de ar-condicionado nos ônibus da cidade. O veto foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Município, como quem tenta esconder o calor debaixo do tapete.

A proposta, de autoria do vereador Landmark (PT), tinha uma lógica simples e humana: obrigar o Consórcio Guaicurus a instalar ar-condicionado nos novos ônibus, promovendo conforto térmico aos passageiros. Mas, segundo Adriane, exigir um transporte minimamente digno “poderia causar despesas ao Município”. A prefeitura, como de costume, condena o povo a assar diariamente sobre rodas.

Segundo o veto, a Câmara não pode interferir nos contratos de concessão – ainda que esses contratos sejam, visivelmente, incapazes de atender às necessidades básicas da população. A Procuradoria-Geral do Município foi além e tachou o projeto de “inconstitucional”, como se garantir ar-condicionado nos ônibus fosse uma ameaça à democracia.

A Agereg, que deveria fiscalizar e proteger os interesses do usuário, também se posicionou contra o projeto. A alegação? Ar-condicionado custa caro e pode abalar o “equilíbrio econômico-financeiro” do contrato. Ora, mas manter os passageiros em saunas sobre rodas não abala a saúde pública? O desconforto térmico também não gera custos — sociais, inclusive?

O que fica escancarado é a escolha política, pois entre o interesse coletivo e o lucro privado, a atual gestão municipal não hesita. O veto mostra que, para a prefeita, o calor é um problema do povo e não do poder.

A desculpa da segurança jurídica virou muleta para a omissão. A prefeitura age como se os contratos fossem cláusulas pétreas, imunes a melhorias ou readequações, mesmo quando a realidade urbana clama por avanços. Afinal, se não for para melhorar o serviço público, para que serve um prefeito?

Adriane Lopes, mais uma vez, mostra sua prioridade e, enquanto isso, o povo segue apertado, suado e maltratado, com ar-condicionado, só se for no gabinete.

A decisão, revestida de legalismos, esconde a essência do problema, que é a falta de vontade política. A temperatura dentro dos ônibus pode ultrapassar os 40ºC, mas o frio mesmo é o da insensibilidade da prefeita com quem realmente precisa do transporte coletivo.

E assim, Campo Grande segue suando em bicas, enquanto seus governantes fingem que conforto é luxo e não direito.

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