
Obra na fronteira de Porto Murtinho acelera integração logística com o Mercosul e promete revolucionar exportações pelo Pacífico.

A Receita Federal estima que a nova ponte da Rota Bioceânica, ligando Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, irá receber inicialmente cerca de 250 caminhões por dia quando for inaugurada, prevista para o segundo semestre de 2026. O empreendimento é considerado estratégico para a economia sul-mato-grossense, consolidando um corredor logístico internacional que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico.
A ponte terá 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, incluindo trechos estaiados e viadutos de acesso. No Brasil, são cerca de 13 km de obras rodoviárias, além de complexos aduaneiros que facilitarão a fiscalização e o despacho de cargas. Com investimento superior a R$ 575 milhões, financiado principalmente pela Itaipu Binacional no lado paraguaio, a obra já está mais de 80% concluída e deve impulsionar o comércio regional e internacional de Mato Grosso do Sul.

A expectativa é que o fluxo inicial de caminhões cresça à medida que o corredor ganhe robustez, com redução projetada de até 30% nos custos logísticos e encurtamento de até 15 dias no tempo de exportação de mercadorias para a Ásia, tornando-se alternativa competitiva ao Canal do Panamá. Isso beneficiará principalmente o agronegócio e a indústria, fortalecendo as cadeias produtivas, gerando empregos e atraindo investimentos para a região de Porto Murtinho e entorno.
Além do avanço para o Brasil e Mercosul, autoridades locais veem na ponte uma transformação para Porto Murtinho, que passará de rota secundária a hub logístico nacional, integrando-se diretamente aos mercados do Pacífico e da Ásia. Com centros alfandegários modernos, a Ponte Bioceânica promete ser um marco logístico para o continente sul-americano, ampliando as rotas comerciais e reduzindo custos para exportadores e importadores.

A obra é peça-chave da Rota Bioceânica Rodoviária e faz parte de uma iniciativa internacional envolvendo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, com previsão de entrega total até o final de 2026. O sucesso do projeto dependerá da eficiência na integração aduaneira e na capacidade de atrair grandes volumes de cargas.
(Foto Capa: Mairinco de Pauda/Semadesc)