Pix, dólares, relógios e mulheres colocam Sandro Benites na mira do MP

O nome de Sandro Trindade Benites voltou a mergulhar Campo Grande em mais um escândalo cercado de suspeitas gravíssimas envolvendo dinheiro vivo, transferências via Pix, compra fracionada de dólares, relógios de luxo, amantes, depósitos em espécie e a utilização da empresa Morena Esportes Locação e Gestão Esportiva LTDA em operações que agora chamam atenção do Ministério Público Estadual.

As denúncias são devastadoras porque desenham um cenário típico de ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com qualquer padrão minimamente transparente esperado de alguém que ocupou cargos públicos estratégicos dentro da administração municipal. Médico, major do Exército, ex-vereador, ex-secretário de Saúde e ex-presidente da Funesp, Sandro Benites aparece no centro de uma rede de operações suspeitas que mistura dinheiro em espécie, compras de moeda estrangeira por terceiros e suposta utilização de mulheres próximas para movimentação financeira.

O material encaminhado ao Ministério Público inclui comprovantes bancários, conversas de WhatsApp, fotografias, áudios e registros de transferências que indicariam tentativa de pulverizar operações para aquisição de dólares. Em uma das mensagens, Sandro Benites orienta a então companheira a comprar US$ 15 mil inicialmente e depois seguir adquirindo valores menores ao longo dos meses em Campo Grande. Em outro diálogo, ele sugere dividir as compras em parcelas sucessivas de US$ 5 mil, estratégia frequentemente associada justamente à tentativa de evitar rastreamentos mais rígidos do sistema financeiro.

As mensagens revelam ainda a obsessão do ex-dirigente da Funesp pela valorização da moeda norte-americana. Em um dos trechos anexados à denúncia, Sandro lamenta que o dólar tenha subido de R$ 5,40 para R$ 6, demonstrando familiaridade impressionante com operações sucessivas de compra da moeda estrangeira. Em outro momento, chega a afirmar que poderia fazer um Pix de R$ 30 mil para aquisição de dólares, reforçando as suspeitas levantadas pelos investigadores.

O caso ganha contornos ainda mais graves porque as denúncias não falam apenas de dólares. Também aparecem referências à venda de relógios de alto valor enviados para diversos estados sem aparente formalização fiscal ou contábil. Segundo os relatos entregues ao Ministério Público, haveria circulação paralela de dinheiro fora do sistema bancário tradicional, incluindo depósitos vultosos em espécie e movimentações suspeitas incompatíveis com transparência financeira regular.

Entre os comprovantes reunidos pelos investigadores está um depósito em espécie superior a R$ 64 mil realizado na conta de Z.A.S., mulher com quem Sandro Benites teria mantido relacionamento extraconjugal por cerca de seis anos. A própria denunciante afirma que era utilizada para realizar movimentações financeiras, depósitos e operações solicitadas pelo ex-secretário. O quadro descrito pelas investigações sugere uma engrenagem organizada para pulverizar movimentações e dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Reuniões na Morena Esportes

O nome da empresa Morena Esportes aparece no centro dessa engrenagem suspeita. A empresa pertence à esposa de Sandro Benites, Melissa Benites, e possui entre os sócios o servidor público e diretor da Agetec, Leandro Basmage. Segundo as denúncias, a loja teria sido utilizada para reuniões, movimentações financeiras e depósitos em espécie considerados incompatíveis com a atividade econômica oficialmente exercida.

Uma das denunciantes afirma que pegava dinheiro vivo para depositar diretamente na conta da Morena Esportes. Há registros de transferências elevadas e mensagens em que Sandro Benites pede para que mulheres ligadas a ele compareçam à empresa para encontrar determinadas pessoas. O que deveria ser apenas uma loja ligada ao segmento esportivo passou a ser citado nas denúncias como possível peça de um mecanismo de “limpeza” de dinheiro supostamente movimentado de maneira informal.

As acusações também levantam suspeitas extremamente pesadas sobre conflito de interesses dentro da administração pública. Afinal, Sandro Benites ocupava a presidência da Funesp enquanto a empresa ligada à sua esposa e ao diretor da Agetec atuava justamente no segmento esportivo. A simples proximidade entre interesses públicos e privados já seria suficiente para gerar enorme desconforto institucional. Mas as denúncias vão além e sugerem algo muito mais obscuro.

Outro ponto chocante das denúncias é a suposta utilização de uma rede de mulheres para operacionalizar depósitos, Pix e negociações financeiras. Segundo relatos apresentados ao Ministério Público, Sandro Benites teria pouco interesse afetivo real nas relações que mantinha, utilizando amantes e pessoas próximas como intermediárias para movimentações financeiras e aquisição de dólares. A acusação, se confirmada, transforma o caso em um escândalo ainda mais degradante sob o aspecto humano e moral.

O caso explodiu justamente após denúncias de violência psicológica e doméstica feitas por uma ex-companheira. A partir daí começaram a surgir relatos sobre depósitos, movimentações financeiras, relógios de luxo, dólares, viagens internacionais e operações suspeitas envolvendo terceiros. O retorno de Sandro Benites de Dubai coincidiu com o agravamento das denúncias, ampliando ainda mais o clima de tensão política e institucional em torno do ex-dirigente da Funesp.

Agora, Campo Grande assiste perplexa ao avanço de um escândalo que mistura poder político, dinheiro vivo, Pix, moeda estrangeira, relações extraconjugais, suspeitas de lavagem de dinheiro e uma empresa ligada ao setor esportivo frequentando o centro das denúncias. As investigações revelam um submundo onde cifras elevadas circulavam entre depósitos em espécie, dólares fracionados e operações cada vez mais difíceis de explicar de forma convincente.

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