
O embate entre Pedro Pedrossian Neto e Lídio Lopes na Assembleia Legislativa expôs, mais uma vez, a diferença gritante entre quem tem compromisso com a verdade e quem vive de bajular o poder. De um lado, Pedrossian trouxe dados, argumentos e indignação legítima diante do caos na gestão de Adriane Lopes, reprovada por 80% dos campo-grandenses. Do outro, Lídio subiu à tribuna para tentar o impossível: defender o indefensável.
Pedrossian não se calou diante da retórica de quem transformou a Câmara e agora a Assembleia em abrigo político de conveniência. Enquanto Lídio tenta justificar o desgoverno da prefeita com o discurso gasto de “herança maldita” e “crise financeira”, o deputado do PSD preferiu falar o que o povo sente: que Campo Grande está parada, mal administrada e entregue a uma equipe fraca.
A tentativa de Lídio em ridicularizar o adversário foi um tiro no pé. Ao chamar Pedrossian de “Pedro Modesto”, “Pedro Pereira” e “Pedro Trad”, o deputado apenas comprovou que, quando faltam argumentos, sobram apelidos. Já Pedrossian, em resposta afiada, devolveu com ironia: chamou o colega de “prefeito de Campo Grande, ops, Lídio Janjo”, um lembrete de que o parlamentar parece mais interessado em governar nos bastidores da esposa do que em legislar pelo povo.
A defesa cega de Lídio à prefeita é um retrato da velha política: aquela que sobrevive de cargos, alianças oportunistas e promessas vãs. É o tipo de lealdade que não nasce da convicção, mas do cálculo. Enquanto o parlamentar tenta pintar Adriane como vítima, a cidade afunda em buracos, atrasos, filas e desorganização.
Pedrossian, por sua vez, representa o que falta na política local: coragem para enfrentar a impopularidade de dizer o óbvio. Quando ele cita que 72% dos moradores consideram a gestão ruim e lembra que o governo anterior saiu com 84% de aprovação, não fala por conveniência, mas por dever de ofício. Ele tem nome, história e independência para criticar.
Lídio, sem partido e sem coerência, tenta ser o paladino da prefeita, mas termina parecendo o advogado de um projeto que nem ela consegue defender. Sua fala mansa e sua memória seletiva não apagam o fato de que Campo Grande vive o maior apagão administrativo da última década.
Enquanto Lídio discursa sobre “respeito ao mandato”, o que se vê é desrespeito ao eleitor. Defender uma gestão rejeitada por quatro em cada cinco moradores não é ato de lealdade, é cumplicidade com o fracasso.
Já Pedrossian, ao contrário do que sugerem os desafetos, não está em campanha por ninguém. Sua pauta é Campo Grande, não Adriane, nem Lídio, nem as alianças que nascem em gabinetes e morrem nas urnas. Sua voz incomoda justamente porque ecoa a indignação de quem acorda todos os dias em uma cidade que parou no tempo.
No fim, o embate entre os dois parlamentares deixa uma lição: quem não se indigna com o caos da capital, colabora com ele. E nesse ponto, Pedrossian faz o que a maioria evita, ou seja, diz em público o que até os aliados da prefeita sussurram em privado.
Enquanto isso, Lídio segue defendendo o governo como quem tenta vender gelo no deserto: com esforço, mas sem resultado. Porque a verdade é simples — quando a cidade está à deriva, o discurso de fidelidade soa mais como omissão do que como virtude.