Obra milionária no Imbirussu tem contrato que não para de engordar

Sem dúvida, a Prefeitura de Campo Grande encontrou um novo hobby e não para de reajustar contratos. A bola da vez é a maior obra da Capital, no fundo do vale do Córrego Imbirussu, que já soma um acréscimo de R$ 1,38 milhão no último aditivo. O valor inicial de R$ 43,49 milhões agora já beira R$ 50,47 milhões, um aumento de 12,2% em menos de dois anos. Nada mal para quem jurava que a proposta vencedora era “a mais econômica”.

Na prática, a história se repete. A Equipe Engenharia, velha conhecida dos cofres públicos, ganhou a licitação prometendo gastar menos que o teto de R$ 44,8 milhões. Menos de dois anos depois, a conta já estourou em quase R$ 6 milhões a mais. Economia só no discurso, porque no Diário Oficial a realidade é sempre mais salgada.

O curioso é que os aditivos vão se multiplicando como praga em canteiro de obra: primeiro em fevereiro, depois em junho e agora em agosto. A cada termo, uma elevação de valores e uma desculpa técnica para justificar o “inesperado”. A Prefeitura publica, a empresa agradece e o contribuinte paga a conta.

A grandiosa obra, vendida como um marco da mobilidade urbana, ligando avenidas como Duque de Caxias, Gunter Hans e Ernesto Geisel, até agora tem se destacado menos pela transformação urbanística e mais pelo apetite do contrato. O Imbirussu virou sinônimo não de revitalização, mas de reajuste.

E a Equipe Engenharia não é novata nessa receita. Em 2016, já havia engordado um contrato em Maracaju com reajuste de R$ 3,4 milhões. Em 2018, entregou uma calçada acessível em zigue-zague, alegando preservação de árvores. Em 2020, faturou milhões em obras no Nova Lima e na Avenida Mato Grosso. É um currículo que mistura pavimentação, polêmicas e, claro, aditivos.

É difícil acreditar que tanto acréscimo seja apenas coincidência ou “imprevistos técnicos”. Em Campo Grande, a engenharia da obra parece vir sempre acompanhada da engenharia financeira, em que o número que realmente progride é o valor do contrato.

Enquanto isso, a população segue à espera do impacto real da obra. Afinal, promessa de corredor viário, drenagem e mobilidade não circula em aditivo. Mas o contribuinte já sente o peso: menos serviços públicos em outras áreas e mais milhões enterrados no fundo de vale.

E ninguém se indigna. A cada publicação no Diário Oficial, silêncio. Nem oposição, nem Ministério Público, nem Câmara de Vereadores parecem dispostos a questionar por que a maior obra da Capital virou também a mais elástica.

A ironia é que se trata justamente de uma obra de drenagem: enquanto o objetivo é conter enchentes, os cofres públicos parecem alagados de aditivos. O único escoamento eficiente até agora é o do dinheiro.

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